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F-Copa

Postado por: Marcos Abrucio

Engana-se quem acha que na vida existem coisas importantes e coisas desimportantes. Não, senhor. Existem também as Coisas Realmente Importantes (CRI).

E uma dessas CRIs está prestes a dar as caras em 2012. Estou falando da Fórmula 1, óbvio.

O que não é tão óbvio assim é um jeito decente de falar de Formula 1 aqui, em um blog sobre futebol e, mais especificamente, sobre a Copa do Mundo. Não tem nada a ver.

Por outro lado, a próxima Copa ainda está longe (pelo menos é o que esperam os pedreiros dos estádios) e não dá para comentar muito sobre uma seleção que sua para ganhar no último minuto da Bósnia. Enquanto isso, a crise de abstinência para ver uma corridinha depois de meses de espera vai, finalmente, acabar nesta semana.

Sendo assim, vamos fazer um esforço. Com um pouquinho de boa vontade, dá para enxergar uma relação entre a categoria principal do automobilismo e o momento mais importante do futebol.

Podemos imaginar, por exemplo, que campeões de F-1 seriam os campeões mundiais de futebol. Hã? Hã? Que tal? Fraco? Bom, tarde demais.

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Começando pelo Brasil, pentacampeão mundial. Que campeão de F-1 seria equivalente a ele? Fácil, o que tem mais títulos: Michael Schumacher, feliz proprietário de sete canecos.

Ééééééé... do Brasil! Do Brasil?

O piloto alemão é uma belíssima escolha para melhor de todos os tempos. Assim como a seleção brasileira, que no imaginário mundial se tornou sinônimo de futebol bonito, em especial pelo desempenho fantástico nas Copas de 58, 62 e 70.

Schumi também empilhou atuações de gala em sua carreira interminável. Entre suas 91 vitórias (!), muitas são inesquecíveis. Como a do Grande Prémio da Bélgica de 1995, quando largou em 16o. e passou todo mundo embaixo de chuva, mesmo com pneus para pista seca em boa parte do tempo. Um baile.

Há quem reclame que Schumacher só ganhou tantos títulos porque teve a sorte de, no começo dos anos 2000, sentar no melhor carro (Ferrari), com o apoio do melhor projetista da época (Rory Byrne) e de um dos melhores estrategista da história da F-1 (Ross Brawn). Sacanagem, né?

Mas o Brasil também não teve a sorte de poder escalar no mesmo time Pelé, Garrincha, Didi e Nilton Santos (em 1958) ou Pelé, Tostão, Gérson, Rivellino e Jairzinho (em 1970)? Então.

Como se esgoelaria o Galvão: Michael Schumacher é o Brasil na Formula 1!

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E a Itália, quem seria? Alain Prost. Ambos têm quatro títulos mundiais e estão, sem dúvida, no topo dos seus respectivos esportes. Tá certo que algumas vezes eles venceram sem jogar muito bonito, mas venceram.

A retranca italiana mandou para casa seleções que tinham o futebol muito mais vistoso, como a de Zico, Sócrates e Falcão, em 1982. Prost sempre foi cerebral e preciso como um bom zagueiro italiano. E também derrotou brasileiros que jogavam mais bonito: Nelson Piquet em 1986 e Ayrton Senna, em 1989.

Só que, assim como os italianos, o narigudo também sofreu com os brasileiros. Se a Azzurra perdeu as finais de 1970 e 1994 para nós, Prost levou um chapéu de Piquet em 1983 e apanhou de Senna metaforicamente em 1988 e literalmente em 1990:

O piloto francês e a seleção italiana têm muitas semelhanças. O engraçado é que quando Prost foi pilotar na Itália, ele não se deu muito bem, não. Acabou demitido da Ferrari no meio da temporada de 1991, após ter comparado o carro vermelho com um caminhão.

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Agora a Alemanha. Hmmm. Difícil, hein?

Vamos para a próxima. Depois eu volto aos germânicos.

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Que campeão de Fómula 1 seria a seleção argentina? Sob o risco de levar pedradas dos dois lados da fronteira, Senna.

Explico. Tanto a seleção portenha como o piloto brasileiro têm fãs devotos, ferrenhos e raivosos, que acham seus ídolos os melhores de todos os tempos em seus respectivos esportes (apesar da matemática jogar contra: nem a Argentina nem Senna são os que mais vezes foram campeões do mundo, mas vai falar isso para um torcedor argentino ou para um hincha sennista).

Mais: os argentinos juram que se a Segunda Guerra Mundial não tivesse impedido a realização de duas Copas, eles seriam muito mais do que bicampeões. Faz sentido. Na década de 40, o time deles era quase imbatível.

Já os sennistas sempre vão argumentar que o piloto brasileiro poderia ter ganho mais do que três títulos não fosse a Tamburello. Faz sentido. O talento de Senna era incontestável, e a gana por mais e mais vitórias, também.

E se o ponto alto da seleção argentina nas Copas foi aquela pintura do Maradona na Copa de 86, Senna também fez um golaço em que partiu lá de trás e driblou meia dúzia para chegar na rede, ops, na frente. Foi na primeira volta do GP da Europa, em Donington, em 1993:

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Imagine ser um piloto brasileiro dentro de uma escuderia inglesa ­— e que seu companheiro de time também é inglês. Ele é, naturalmente, o preferido de todos dentro do box. Imagine enfrentar esse cara (e toda a torcida contra do resto da equipe) e ainda se tornar o campeão do mundo.

Piquet fez isso em 87, na Williams, quando bateu um Nigel Mansell em ótima fase. E a seleção do Uruguai fez algo parecido em 1950. O Brasil sediava a Copa, fazia uma campanha cheia de goleadas e na final botou 200 mil torcedores no Maracanã. Perdeu para os uruguaios.

Tem brasileiro que esquece o pilotaço que Piquet foi. Três vezes campeão do mundo na década mais disputada da história da Formula 1. Talvez o melhor acertador de carros da categoria. Inventivo, estrategista, marrento, nunca ligou muito para patriotadas ­­— talvez por isso não seja, até hoje, tão popular quanto mereceria.

Por conta de terem ganho “só” duas Copas, os uruguaios também não são muito lembrados pela sua grandeza. Injusto. O princípio da história das Copas foi todo celeste: vencedores em 1930, boicotaram as edições seguintes (marrentos…) e voltaram em 1950 para serem campeões de novo. E só foram perder uma partida de Copa do Mundo nas semifinais de 1954, contra a Hungria.

Depois de décadas com times medíocres, o Uruguai voltou ao seu lugar em 2010: foi semifinalista na África do Sul. E campeão da Copa América no ano passado. Ei, o Piquet também podia voltar, né?

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E a Alemanha? Aiaiai. Passo.

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A seleção inglesa venceu a Copa do Mundo apenas uma vez, em 1966. Os pilotos ingleses costumam repetir esse roteiro. Nenhum outro pais tem tantos corredores “monocampeões”: Mike HawthornJohn SurteesJames HuntNigel MansellDamon HillLewis Hamilton e Jenson Button.

Qual desses pilotos seria equivalente à Inglaterra? Os torcedores ingleses, apaixonados por ambos os esportes, adorariam que fosse Lewis Hamilton (talentosíssimo, com muitas glórias pela frente). Mas acho que eles estão mais para Damon Hill (ganhou uma vez só e olhe lá.).

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A França teve grandes momentos nas Copas (como em 1958, terceira colocada com Just Fontaine, ou nos anos 80, com a geração de Platini e Giresse). Mas nunca ganhava o titulo. Também teve alguns episódios lamentáveis (como cair na primeira fase em 2002 e 2010 ou levar o uniforme errado para o jogo em 1978.) E seguia sem ganhar.

Até que em 1998, liderada por Zidane, finalmente foi campeã. No fim, uma lavada em cima dos brasileiros: 3 a 0.

Nigel Mansell teve grandes momentos na Fórmula 1 (foi três vezes vice-campeão mundial nos anos 80). Mas nunca ganhava o titulo. Também teve alguns episódios lamentáveis (como bater a cabeça em uma ponte após uma vitória enquanto dava tchauzinho para a torcida ou deixar o carro morrer na última volta enquanto… dava tchauzinho para a torcida). E seguia sem ganhar.

Até que em 1992, no supercarro da Williams, finalmente foi campeão. No fim, uma lavada em cima de um brasileiro (Ayrton Senna): 108 pontos a 50.

França ————————> Mansell.

Argentina, Itália, França e Uruguai?

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A Espanha é atual campeã do mundo de futebol. Tem jogado bonito. Tem vencido com autoridade. Tudo igual ao bicampeão Sebastian Vettel. Mas se a Fúria espanhola for mesmo o moleque da equipe do touro vermelho, aí ferrou. Isso quer dizer que a Espanha vai ganhar as 5 próximas Copas…

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Droga, faltou a Alemanha. Quem poderia ser?

Jackie Stewart, tão tricampeão quanto? Émerson Fittipaldi, um especialista em se aproveitar do erros e dos infortúnios dos adversários, como sempre foi a pragmática seleção alemã?

Ou Jack Brabham? Ele também foi três vezes campeão, uma delas na raça: em 1959, a 500 metros da chegada da última corrida, seu carro ficou sem gasolina. O piloto australiano pulou do carro e se botou a empurrá-lo, chegando em quarto.

(Tá certo que nem precisava tanto suor: seu adversário pelo campeonato, Tony Brooks, precisava ganhar a corrida para ser campeão. E foi só o terceiro. Mas beleza, a história é boa.)

Brabham: valente feito um volante alemão (hã?).

Já sei: o também tricampeão Niki Lauda! Calculista a ponto de ser chamado de “O Computador”, seria ele o equivalente em quatro rodas do “futebol-força” alemão?

Ah, sei lá. Talvez a seleção alemã seja mais afeita a carrinhos do que a carrões.

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Poderia continuar a brincadeira com os países que não foram campeões do mundo. A Holanda seria Gilles Villeneuve. Tanto uma como o outro encantaram fãs do esporte com exibições fantásticas. Até hoje os torcedores babam pela revolucionária seleção laranja de 1974 e pelas manobras malucas do canadense ao volante da Ferrari. Mas nem o pai do Jacques nem o time de Cruyff nunca tiveram o prazer de soltar o grito de campeão.

Quem mais? O Japão? Moleza: Satoru Nakajima. El Salvador, que levou a maior goleada das Copas? Yuji Ide. E Camarões? E a Suécia? A Tchecoslováquia?

Chega. Melhor parar por aqui. Não porque eu tenha noção do ridículo. Mas porque, ao contrario da Copa, a temporada de F-1 já vai começar.

Eba.

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Uniformes Inesquecíveis da Humanidade – 5

Era com essa beca que o Zaire, atual República Democrática do Congo, enfrentou os adversários (ou melhor, apanhou deles) na Copa de 1974:

Oh, yeah!

Foi uma Copa de grandes uniformes. Não por acaso, bem no meio da década em que todo mundo parece ter resolvido se vestir de maneira nada discreta.

Década das roupas espalhafatosas, cheias de “personalidade”. Das cores berrantes, das estampas malucas, da moda das ruas, do estilo Black Power. Também a década em que a roupa de “jogar bola” ou de “fazer Cooper”, virou “fashion”, olha só.

Por tudo isso, nenhuma camiseta foi tão anos 70 quanto essa.

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O Zaire foi o primeiro país da África Negra a participar de uma Copa. A classificação rendeu aos jogadores uma promessa do ditador Mobuto Sese Seko de que ganhariam casa e carro zero.

Só que a chuva na horta durou pouco. Os zairenses fizeram feio na Copa — com exceção do uniforme, claro. Não marcaram nenhum gol e levaram 14 em três jogos. Mas isso não foi o pior.

Baile nos Leopardos.

Depois da estréia, derrota por 2 a 0 para a Escócia, os jogadores africanos ficaram sabendo que não ganhariam mais seus mimos. Recusaram-se então a entrar em campo na partida seguinte, contra a Iugoslávia. Para evitar um vexame internacional, Mobuto mandou avisar que pagaria os atletas. Mesmo desconfiados e desmotivados, eles foram para o jogo.

Melhor seria ter ficado em casa. O jogo terminou 9 a 0 para os iugoslavos. Um vexame internacional. Depois do terceiro gol, ainda no primeiro tempo, o técnico (iugoslavo!) do Zaire, Blagoje Vidinic. trocou o goleiro. Ninguém entendeu direito, e a primeira coisa que o reserva fez foi buscar a bola no fundo da rede — ele nem tocara na bola e já tinha levado um gol.

Muitos anos depois, o técnico contou que um representante do Ministério dos Esportes do Zaire bateu no seu ombro e ordenou a troca. Pelo bem da sua integridade física, ele obedeceu.

Há quem diga que os africanos amoleceram naquele jogo. A verdade é que o moral dos jogadores, que já não eram lá essas coisas, bateu lá embaixo. Estavam pressionados e sem nenhuma perspectiva de ganhar nada além da humilhação pública. Daí, a surra. Mas isso não foi o pior.

(Bola no fundo da rede) x 9.

Depois da partida, Mobuto gentilmente enviou a guarda presidencial aos vestiários para dar o recado ao pé do ouvido: se os jogadores levassem quatro do Brasil, na última rodada, não voltariam vivos para casa.

Mui sabiamente, o time se esforçou ao máximo contra o Brasil. E, ufa, perdeu só de 3 a 0. Mas teve uma coisa esquisita nesse placar: os brasileiros precisavam justamente de três gols de diferença para se classificarem. Hmm…

Estando bom para ambas as partes, os brasileiros passaram de fase, e os zairenses voltaram pra casa. Vivos.

Mas nada disso foi o pior. Nem mesmo o frangaço que o goleiro Muamba (Muamba!) Kazadi engoliu (depois de ter defendido tudo no primeiro tempo) e acabou classificando o Brasil. Não. O pior é que os jogadores do Zaire não sabiam nem formar uma barreira!

***

Mas o uniforme, ah, esse sim, era bacana.

A segunda pele de um Leopardo.

Mais simples, impossível: brasão, nome do pais, colarinho de filme do Burt Reynolds e só. Ao mesmo tempo, marcante: você já viu um distintivo desse tamanho?

E que distintivo: um leopardo, símbolo do time, atacando a coitada de uma bola. Coisa linda. Tanto que as réplicas da camisa fazem sucesso até hoje entre os amantes dos fardamentos “vintage”, ui.

Ah, e tinha também a versão em amarelo:

Nice!

***

Sobre o lance da falta, vale uma explicação. Sim, existe uma explicação para aquela maluquice. E não é o completo desconhecimento da regra.

Naquele momento do jogo, o placar já era de 3 a 0. O brasileiros já estavam classificados. Já os zairenses, se sofressem mais um gol, perderiam a cabeça. Literalmente.

Aí o juiz marca uma falta frontal para o Brasil, então campeão do mundo. Quem vai bater é Rivellino, um dos melhores cobradores de falta de todos os tempos. O que você faria se estivesse na barreira?

Ilunga Mwepu pirou. Saiu correndo e enfiou a bicuda. Há alguns anos revelou que o lance foi mais um reflexo da pressão que os zairenses estavam sofrendo:

“I panicked and kicked the ball away before he (Rivelino) had taken it. “Most of the Brazil players, and the crowd too, thought it was hilarious. I shouted, ‘You bastards!’ at them because they didn’t understand the pressure we were under.”

Mwepu era o jaqueta 2.

Tudo bem, vai, está perdoado. Mas se você não conseguiu parar de rir da cena até agora, não se preocupe. Até Mwepu já fez graça com ela:

Postado por: Marcos Abrucio

***

Ver também: Uniformes Inesquecíveis da Humanidade 1 (Alemanha – 90), 2 (Brasil – 70), 3 (França/Kimberley – 78) e 4 (Cruyff – 74).

Como jogar sem a bola

A jogada que encerrou a Copa do Mundo de 1970 é considerada por muitos a melhor de todos os tempos.

O lance começa no campo do Brasil, com uma sequência de dribles curtos de Clodoaldo que entorta uns quatro italianos. Ele toca para Rivelino na lateral esquerda, que lança para Jairzinho na ponta. Jair parte para o meio e toca para Pelé, na entrada da grande área. Aí a coisa fica ainda mais fina. Pelé, antevendo a jogada, dá um leve toque para a direita, sem nem olhar para o lado. Lance de gênio. Carlos Alberto vem entrando como uma bala. A bola quica sutilmente numa imperfeição do gramado e fica suspensa no ar por centésimos de segundo. O tempo exato para o Capitão pegar de primeira e fuzilar o goleiro com uma bomba espetacular. Brasil 4×1, Brasil Tricampeão.

Uma jogada tão perfeita que não poderia ser melhor. Não poderia até o dia em que alguém resolveu fazer uma perguntinha pro Pelé:

“Quando você rolou aquela bola sem olhar, como adivinhou que o Carlos Alberto estava entrando?”

A resposta do Pelé:

“O Tostão avisou, ué.”

Como assim? O Tostão nem aparece no vídeo. Ele nem participa do lance.

Eis que surge a jogada por um outro ângulo. Tostão está lá, na meia-lua, como quem não quer nada, de costas para o gol e de frente para Pelé e Carlos Alberto. Quando o Rei domina a bola, Tostão aponta discretamente, como bom mineiro, para onde a bola deve ser rolada. O Rei olha para ele e obedece.

O momento mágico: Tostão avisa e Pelé toca.

Pronto. Agora o lance estava completo. E estava revelado o segredo daquele time. Ele era muito bom com a bola e melhor ainda sem ela. Todos jogavam muito com os pés e com o cérebro. E foi assim que nos mostraram o futebol no mais alto nível já visto.

Será que outra seleção no mundo, algum dia, vai conseguir chegar lá?

Postado por: Rodrigo Mendonça

Ademir e mais 10.

Ouvindo meu pai falar sobre Ademir da Guia durante toda minha infância, demorei a entender como o melhor ídolo da história do Palmeiras jamais havia obtido sucesso na Seleção. Em bem da verdade, me lembro até hoje do dia em que fui pesquisar sobre isso e achei: “Copa de 1974 – Primeiro tempo jogado na disputa do 3º lugar”.

Como assim?! Alguns minutos na disputa da terceira colocação? Só podia ser mentira. Mas era verdade. Claro, uma daquelas verdades indigestas: desde a predileção pessoal de Zagallo e da (influente) imprensa carioca a outros atletas, até a escalação de outros gênios – como Rivellino (que, argh, jogava no Corinthians!).

Não fica triste não, Divino.

Contudo, foi assim que descobri que a história das Copas é repleta de “injustiças justificadas”. Também não deve ser nada fácil para um vascaíno engolir que nada mais, nada menos que Roberto Dinamite tenha sido eliminado junto com toda a Seleção daquela vergonhosa Copa de 1978 (Argentina 6×0 Peru, lembram?) e nem tenha entrado em campo em 1982.

Bonita camisa, Robertinho!

E 1978 traz ainda a ira de colorados pela não escalação de Falcão, assim como 1990 carrega o brado de flamenguistas diante da reserva de Renato Gaúcho. Da mesma forma, são paulinos até hoje pensam em linchar Carlos Alberto Parreira por ter tirado Raí tão cedo do esquema da equipe que foi tetracampeã em 1994 e os mesmos vascaínos pensem em dinamitar Zagallo pela Copa de 1998 sem Edmundo (e com Bebeto já veterano ao lado de Ronaldo).

Eu mesmo senti o amargo de não ver um ídolo com a camisa amarela quando, em 2002, Felipão deixou Alex de fora da meia-esquerda canarinha.

Sorria, Cabeção... não vale a pena chorar pela Copa derramada.

Enfim, são tantos os casos que poderíamos fazer posts e mais posts amargos e cheios de revolta sobre os excluídos das Copas. Mas eles seriam simplesmente inúteis. Por isso, na minha cabeça, todas as equipes brasileiras que participaram entre 1966 e 1974 tinham obrigatoriamente Ademir da Guia e mais 10.

Ainda que, dentre esses outros dez, houvesse um tal de Pelé.

Postado por: Henrique Rojas.