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Sobre timing e posicionamento

Postado por: Marcos Abrucio

No futebol, timing é tudo, já ensinava o mestre Romário. Como ninguém, ele parecia estar sempre na hora certa, no lugar certo.

Timing que parece ter faltado a jogadores que brilharam em seus clubes, mas que quando chegava a Copa, alguma coisa desandava com eles. O resto do time não era bom, contusões atrapalhavam, a sorte desaparecia na hora H. Resultado: Puskas, Di Stefano e Zico não foram campeões do mundo.

Mas o Anderson Polga, sim.

Zico, zica.

Zico, zica.

Pior é o caso do Zé Roberto. Lateral-esquerdo da Portuguesa vice-campeã brasileira de 1996, foi para o meio de campo na Alemanha, onde jogou no Bayer Leverkusen, Bayern de Munique e Hamburgo.

Na Copa de 98, era reserva de Roberto Carlos – vice-campeão mais uma vez. Em 2006, vivia a melhor fase da carreira. Foi disparado o melhor jogador brasileiro na Copa da Alemanha. Só que mais uma vez a França nos mandou de volta para o aeroporto.

Entre as duas Copas, a de 2002: vitória brasileira, Família Scolari, show de Ronaldo e Rivaldo, olha o Denílson contra a Turquia!, olha o Olodum tocando, ah, que beleza, ah, que saudade… Mas Zé Roberto não foi convocado.

Belletti, Gilberto Silva, Kléberson e Vampeta, sim.

Foi mal, Zé.

Désolé, Zé.

***

A Copa de 2014 no Brasil seria mais um exemplo de falta de timing?

Quem gosta de futebol sempre quis ver uma Copa em casa. E logo agora que ela chegou, putz, o clima tá tenso. Protestos, greves, raiva, indignação coletiva — tudo ao mesmo tempo, fazendo quem quer ver a bola rolar se sentir até culpado.

Como disse no post anterior, tudo isso é legítimo. O que não falta no Brasil é motivo para ficar puto e ir para a rua (® Fiat). Também não acho errado aproveitarem justo essa época para protestar. Faz todo sentido gritar quando todo mundo tá olhando, ora essa. Na África do Sul já foi assim.

Se a Copa (ou melhor, a organização incompetente e corrupta da Copa, por parte do comitê organizador, Fifa, CBF, Governos Federal, Estaduais e Municipais) foi o estopim para a galera se coçar, beleza, azar o dela. Antes agora do que nunca.

Outra coisa: será que teríamos feito tudo diferente em outras épocas? Não teríamos superfaturado, desviado, procrastinado? Será que governos anteriores teriam aberto mão do Mundial frente às exigências da FIFA? Não teriam financiado estádios privados?

Duvido.

Estádios incompletos.

Estádios incompletos.

Em 1950, houve atrasos, gambiarras e dinheiro público derramado à vontade – e ninguém se importou muito com isso. A culpa foi só do Barbosa.

Assim, Copa atual não chegou em hora errada, pelo contrário. Dessa vez, nossa reação foi diferente, indignada com o que houve de errado. Sinal de que o país amadureceu.

***

Outra prova de amadurecimento, dessa vez de cada um de nós, seria conseguirmos diferenciar as coisas.

De um lado, está a vontade de protestar e acabar com tudo que o Brasil tem de errado, injusto, e cruel. Do outro, a paixão pelo futebol e a vontade de torcer pela seleção. Acredite: uma coisa não briga com a outra.

De novo: protestar é legítimo e necessário. E ninguém é obrigado a gostar de futebol, muito menos a torcer pela seleção. Torce quem quer, pra quem quiser. E não faltam motivos para torcer contra.

Mas o cidadão que comprou aquela TV de 95 polegadas nas Casas Bahia porque gosta de futebol, gosta da Copa e gosta do time brasileiro (e tem bastante espaço na sala) não precisa ficar com vergonha. Ele pode torcer pela seleção e ao mesmo tempo reivindicar um país melhor para ela.

Pode parecer difícil achar uma posição entre o oba-oba acrítico e a vontade de arrancar o escalpo do Neymar . Mas já fizemos isso antes.

Uma das épocas mais tristes da história do Brasil.

Tostão em uma das épocas mais tristes da história do Brasil.

Em uma das fases mais críticas da ditadura, fizemos festa para cada um dos 19 gols da seleção de 70. Não porque erámos todos alienados hipócritas. Mas porque sabíamos que uma derrota daquele time não iria soltar ninguém das masmorras.

Eram coisas diferentes.

E olha que o Brasil de junho de 1970 era muito pior do que o de junho de 2014. A tortura e a censura eram corriqueiras, a saúde e a educação eram (ainda) mais precárias e a liberdade era artigo em falta no mercado — não queira se imaginar indo para a rua (® Fiat) naqueles tempos.

Isso não quer dizer que não havia um conflito interno entre os brasileiros. Até entre os jogadores. Para variar, Tostão escreveu um lindo texto sobre aquela Copa. Aí vai um teco:

“Pensei em não ir a Brasília, onde a seleção seria recebida pelo ditador Médici, como protesto. Refleti, racionalizei e achei que deveria ir, pelo compromisso com a seleção, com os companheiros, que deveria separar a política do esporte (…). Freud gostava de repetir uma frase de Shakespeare: ‘A consciência nos faz todos covardes’, no sentido de ser racional, prudente, ético, justo e social. Por outro lado, deixamos, com frequência, de lutar por nossos profundos e verdadeiros desejos, nem sempre compatíveis com nossos deveres sociais.”

Que bom que hoje a gente tem mais liberdade para gritar e ser ouvido. Vamos fazer isso! Mas, ao mesmo tempo. como escreveu o Antônio Prata no último domingo, deixar de curtir a Copa aqui “só deixará sua vida mais chata.”.

Vai-ter-copa-ou-não

***

É possível ser crítico à organização da Copa e ao mesmo tempo curtir o que essa época tem de mais emocionante.

É possível protestar no feice contra os elefantes brancos espalhados pelo Brasil e ao mesmo tempo comprar as figurinhas do Mundial.

E é possível conseguir separar uma vitória sensacional ou uma derrota acachapante da seleção do numerozinho que se vai digitar nas urnas em outubro. Isso sim, seria uma prova de maturidade.

Aposto que vamos conseguir fazer isso. E tomara que eu seja tão preciso nessa aposta quanto ele era dentro da área:

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Agora é torcer

Kill Your Idols

Como Axl, Dunga também está se lixando para os ídolos.

Agora é torcer. Em todos os sentidos.

Primeiro, óbvio, porque não adianta mais tentar achar os melhores argumentos, fazer campanha, implorar. O time é esse, ponto. Só resta torcer para que ele funcione.

Segundo, porque, a despeito da cabeça dura do Dunga, das incoerências travestidas de coerência, das eventuais afrontas ao futebol contidas na lista, esse é mesmo o time para o qual eu vou torcer. Muito.

Vou ficar com raiva (já estou), vou praguejar, vou sofrer. Mas vou torcer. E comemorar muito quando, tomara, o Lúcio entrar num êxtase religioso-futebolístico e levantar a taça como se fosse o cálice sagrado, amém.

Aí vão os “comprometidos”, os “guerreiros”, os “patriotas” escolhidos por Dunga:

Goleiros: Julio César, Gomes, Doni

Laterais (e “laterais”): Maicon, Daniel Alves, Gilberto, Michel Bastos

Zagueiros: Juan, Lucio, Luisão, Thiago Silva

Meio-campistas: Gilberto Silva, Felipe Melo, Josué, Kléberson, Elano, Ramires, Kaká, Julio Baptista

Atacantes: Luis Fabiano, Nilmar, Robinho, Grafite

Lista de espera (!?): Alex, Marcelo, Sandro, Ronaldinho Gaúcho, Paulo Henrique Ganso, Carlos Eduardo e Diego Tardelli.

***

Não adiantou fazer campanha. Faltou o craque. Ganso, Neymar, Ronaldinho Gaúcho, todos ficaram de fora, deixando nos pés de trocentos volantes a responsabilidade de substituir Kaká no caso de uma (toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc) contusão.

Para mim, o absurdo mais absurdo parece ser mesmo Kléberson, reserva do Flamengo, no lugar que poderia ser de Ganso ou de Ronaldinho — que, pelo menos, estão na “lista de espera”. Vai que…

Entre outras polêmicas, estão a ausência, na lateral esquerda, de jogadores que estejam jogando … na lateral esquerda (embora Gilberto passa dar conta do recado); a ausência de Adriano (embora nunca um jogador tenha se esforçado tanto para não ser convocado…); a presença de Grafite, Michel Bastos, Doni (embora… é, sei lá).

Mas uma coisa que poucos comentaram é o desserviço prestado por Dunga ao futuro do futebol brasileiro. Sem Ganso, Neymar, Pato ou o coitado do Victor, que caiu inexplicavelmente na última hora, não teremos, nesta Copa, quase nenhum jogador que vai estar na de 2014.

Com as possíveis exceções de Ramires, Nilmar e Tiago Silva, nenhum outro jovem craque vai sentir o primeiro gostinho de um Mundial para chegar no próximo voando, como antes fizeram Ronaldo e Kaká. E Pelé, que já apareceu arrebentando.

Ao se fechar no grupo que no passado o apoiou, Dunga não pensou no futuro.

Se algo der errado na próxima Copa (toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc, toc,), lembraremos do dia desta convocação.

Foi o dia em que a (hipotética! hipotética!) derrota em casa começou.

Postado por: Marcos Abrucio

Profissão: Copeiro

“A vaga é sua. Mas você só começa depois da Copa.”

Faltavam poucos dias para a Copa de 2002 quando eu ouvi isso. Eram duas ótimas notícias disfarçadas de uma-boa-e-outra-ruim.

Uma significava que meu primeiro estágio numa agência grande estava garantido. A outra, que eu poderia ver aquela Copa inteira sentadinho em casa, sem perder nenhum jogo por causa de trabalho, estudo, obrigações, essas coisas chatas e desimportantes.

Meninos, eu vi.

Quanto mais você cresce, mais fica difícil convencer as pessoas que assistir a Paraguai x Eslovênia é um compromisso inadiável. Não dá para cancelar uma prova ou um job para ver um jogo como esse. Que absurdo.

Para mim, um dos motivos da Copa de 1994 ter sido tão genial foi justamente o fato de, na época, eu fazer o colegial de manhã e bundar à tarde, horário de todos os jogos. Conclusão: vi aquela Copa de cabo a rabo.

Em 1998, estava na faculdade. Enquanto Zidane, Ronaldo e Suker brilhavam nos gramados da França, lá estava eu discutindo Baudrillard, Bakhtin e Saussure. Tsc, tsc, tsc.

Quatro anos depois, já estava pronto psicologicamente para deixar a Copa de lado e me entregar covardemente ao sistema capitalista sujo e malvado. Aí ouvi a frase lá de cima. E o sistema capitalista sujo e malvado teve que esperar mais um pouco.

"Acorda! Vai começar Croácia x Equador!"

Livre para ver a Copa, o desafio seguinte era ficar acordado. Para quem não lembra, os primeiros jogos de cada dia começavam às 2h30, e os últimos terminavam às 10h30 da manhã. Tudo bem: como sempre fui de dormir tarde, não tive grandes problemas para trocar o dia pela noite durante aquele mês.

Não que a minha mãe tenha entendido muito bem tudo isso.

Não esqueço da cara de “O que que ele está fazendo com a vida dele?” que ela fez em uma certa manhã. O sol já estava quente e eu me arrastava para a cama depois de assistir a 3 jogos seguidos. Ela olhou bem para  as minhas olheiras, fez que ia falar alguma coisa (“O que que você está fazendo com a sua vida?”?), mas apenas balançou a cabeça.

Para a Copa do pijama ficar perfeita, faltava só o Brasil fazer a parte dele. Esse era o problema.

Foi teste para cardíaco, amigo.

O caminho entre a Copa da França e a do Japão/Coréia talvez tinha sido o mais tortuoso da história da seleção. Principalmente depois que Wanderley Luxemburgo, então treinador brasileiro, perdeu a Olimpíada, o cargo de treinador, o W e o Y.

No lugar dele, entrou Leão, que durou pouco, mas o suficiente para convocar o Leomar (hã?) e apanhar de novo da França. Em seguida, para salvar a pátria de chuteiras, chegou Luiz Felipe Scolari.

Mas mesmo dirigida pelo técnico que todos haviam pedido, as coisas pro lado da seleção continuavam feias. Com ele no banco (e Guilherme e Jardel no campo, credo), o Brasil passou um dos maiores vexames de sua história: a derrota para Honduras na Copa América de 2001.

A classificação para a Copa veio no último jogo, contra a Venezuela. Um sufoco. No começo de 2002, lembro de ver um amistoso em que Felipão botou o Kléberson. Fiquei apavorado: quem era Kléberson? Naquele momento, tive certeza que veria a pior participação brasileira em Copas.

Só que, aos poucos, Scolari foi botando ordem na casa. Montou uma base, ignorou o clamor popular por Romário e principalmente: acreditou em três craques que estavam em baixa: Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo — este, vindo de uma contusão que o fez ficar quase dois anos sem jogar.

Nunca desconfiamos tanto do nosso time, mas quando a Copa começou, havia algo de diferente no ar. Enquanto o Brasil se classificava em primeiro no seu grupo, Argentina e França surpreendentemente ficavam de fora logo na fase inicial. Ei, será que o Brasil iria se dar bem?

Hoje não, Zizou.

A França caiu logo de cara.

A confiança voltou de vez no já clássico jogo contra a Inglaterra. O Brasil ganhou um jogo dificílimo, com bravura, bom futebol e aquela dose de sorte que acompanha os vencedores (especialmente os da Megasena). Na semifinal contra a Turquia, outra partida dura e outra vitória heróica.

O final desta saga todos lembram. Na primeira vez em que trombamos com a Alemanha em Mundiais, uma vitória incontestável: 2 a 0. E, como vocês podem ver abaixo, o segundo melhor jogador em campo naquela final foi justamente… Kléberson!

Ele foi o segundo melhor, porque o melhor de todos, claro, foi o autor dos dois gols. O protagonista da mais incrível história de superação já vista em uma Copa: Ronaldo.

Na época, o Torero listou na Folha as seis etapas que, segundo todo manual de roteiro, as grandes histórias devem ter: apresentação do personagem, crise, recuperação, preparação para o grande confronto, clímax e final feliz.

Entre 1998 e 2002, Ronaldo passou por tudo isso. E quando chegou o final feliz, eu vibrei muito. Só que, em vez de comemorar na Paulista como em 1994, fui direto para a cama.

Depois desse mês sabático-futebolístico, uma pausa que, como diz um grande amigo meu, todo mundo precisa dar de vez em quando, me entreguei covardemente ao sistema capitalista sujo e malvado. Feliz da vida.

Foi ótimo ter acompanhado cada lance daquela Copa. Ter visto mais uma vez o meu time vencer o campeonato mais difícil que existe. Ter acompanhado a ressurreição de Ronaldo. E por fim: não ter pregado o olho nenhuma vez até o apito final.

Não foi todo mundo que conseguiu:

Porra, Noronha!

Postado por: Marcos Abrucio

Por um volante a menos

No Mundial 2010 de Fórmula 1, estarão nas pistas Felipe Massa, Rubens Barrichello, Lucas Di Grassi e Bruno Senna — se a equipe dele realmente existir. Ao todo, serão 3 ou 4 volantes brasileiros.

Já no Mundial 2010 de Futebol, esse número sobe para 8.

É esse o tanto de volantes, ex-volantes e possíveis volantes que Dunga chamou para o amistoso contra a Irlanda. Contem comigo: os “oficiais” Gilberto Silva, Felipe Melo, Josué e Kleberson. Adicione quem já jogou por ali (e pode jogar de novo sem problema nenhum): Daniel Alves, Elano, Ramires e Julio Batista. Oito.

Como este é o último jogo antes da convocação para a Copa, podemos concluir que essa turma toda já botou um pezinho na África do Sul. E que Ronaldinho Gaúcho, como não foi convocado, deve pensar seriamente em comprar uma TV maior para ver o Mundial em casa.

Calma. Não vamos discutir nomes (senão o Josué nem pegava o passaporte), mas sim o número de volantes.

Com ele, são 9.

Há no grupo de Dunga uma desproporção entre quem é esforçado e quem pode decidir um jogo. São muitos os raçudos, e que bom que eles estão lá. Mas a Alemanha, a Inglaterra, a Itália e a Espanha também os têm aos montes.

Quem sempre fez diferença a nosso favor foi o jogador habilidoso, criativo, imprevisível, capaz de quebrar o esquema adversário com um drible, um lançamento, um corta-luz. Na seleção atual, poucos têm essas credenciais: Kaká (se a pubalgia deixar), Robinho e, vá lá, Luis Fabiano.

Enquanto isso, Ronaldinho Gaúcho voltou a jogar bem pelo Milan. Com alguma irregularidade, mas voltou. Parece mais maduro que na Alemanha e com vontade de voltar à forma de 2004/2005, quando foi o melhor do mundo. Ele não precisa (ainda) ser titular da seleção. Mas precisa estar no avião para a Copa.

Porque craque tem que ir. Dá-se um jeito. Se o treinador Dunga der esse jeito, pode entrar para a história. Onde já está o jogador (volante!) Dunga.

***

Sempre gostei do Dunga dentro de campo. Primeiro, claro, porque ele jogou no Corinthians. Jogou pouco, mas bem. Em um jogo contra o Santos, fez um golaço quase do meio de campo (Juro que isso aconteceu, embora não tenha achado no You Tube. Ou será que o que não está no You Tube não aconteceu?).

Você já se vestiu melhor, Dunga.

Quando criança, achava legal o estilo dele. Era sério e incansável na marcação e, de vez em quando, soltava uns tirambaços de fora da área. No meu quintal, quando mandava umas bicas que faziam voar o chinelo, sempre gritava o nome dele. Por tudo isso, achei injusta a sua crucificação solitária em 1990. Era um time cheio de defeitos e a franjinha do cabeça-de-área, só mais um deles.

Em 1994, o cara fez uma Copa brilhante. Ajudou a proteger a melhor defesa brasileira que eu tinha visto até então. Mais do que isso: liderou a equipe e acertou inúmeros lançamentos longos para os atacantes. Além de converter seu pênalti na final, claro.

Com a inevitável decadência física, em 98 sua liderança já era mais anedótica do que efetiva. Mas ao contrário de outros, caiu em pé. Foi um grande jogador.

***

Nunca gostei do Dunga à beira de campo. Não era o melhor nome para o cargo, insistiu em nomes duvidosos (Afonso? Doni?), foi mal-humorado e rancoroso demais com quem o criticou, muitas vezes lento nas ações e pouco criativo nas substituições. E, como 11 entre 10 técnicos da seleção, teimoso pra dedéu.

Mas é um vencedor. Não se pode negar isso. Levou uma Copa América e uma Copa das Confederações, liderou as eliminatórias e chacoalhou a Argentina algumas vezes. Mais importante: com alguns solavancos, montou uma base.

Por respeito aos resultados de Dunga como técnico, aqui não se discute tanto a convocação que ele fez. Um ou outro jogador, apenas. E principalmente: a opção por levar uma manada de volantes e quase nenhum fora-de-série.

***

O bom trabalho de Dunga até agora o fez convicto de suas decisões. Só que a coerência e a fidelidade a seu grupo podem fazê-lo cometer o único crime que os brasileiros não perdoam numa Copa: dispensar o talento.

Pensa: e se o púbis do Kaká não trabalhar direito e, sei lá, o púbis do Robinho trabalhar demais e por conta disso os dois não brilharem na África? Aí dependeremos apenas da garra. Porque a habilidade vai estar em falta.

#tiraumvolante, Dunga. E leva o Gaúcho.

***

Ok, agora vamos falar de nomes. Com um volante a menos, abre-se espaço para Ronaldinho Gaúcho. O que torna inútil a presença de Júlio Batista, jogador voluntarioso e aguerrido, mas em má fase na Roma.

Sem ele, sobraria mais um lugar na seleção. Lugar pra quem? Responde para eles, Zina.

Porque craque tem que ir.

Postado por: Marcos Abrucio