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Neymar, burraldo

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Sempre fui fã do Neymar. Apesar dele ser marrento, mimado, mal-assessorado, ególatra. Só que, além disso tudo, ele é um gênio. Total. Joga muito, muito mesmo. Mas nessa Copa, pela primeira vez, peguei raiva dele. Não porque ele tenha ido tão mal (nem bem.) Mas porque ele foi burro.

Burro, burraldaço. E aí dá raiva.

Algo que eu não senti nem quando ele deu um chapéu no Chicão com o jogo parado. Ou quando deu um chapéu no Santos e disputou o Mundial de Clubes contra o Barcelona já contratado pelo… Barcelona. Ou quando deu um chapéu na Receita Federal. Ou quando deu um chapéu…

Não, nada. Cansei de defendê-lo em inúmeras situações. Porque ele é fera. No começo, havia o medo dele virar um Robinho, alguém que prometia ser um dos grandes mas no fim não era nada disso. Bobagem. Lembre-se de que Neymar já foi decisivo para os seus times em várias conquistas e ainda fez gols nas finais dos maiores desses títulos (Libertadores-2011 no Santos, Champions-2015 no Barcelona, Olimpíada-2016 na Seleção, por exemplo).

Por isso, nunca liguei para os seus penteados, suas tatuagens ou seus tuites. Pra falar a verdade, nunca me importei nem com a sua fama de cai-cai, piscinero ou diver (dependendo do país onde você está). Afinal, a cada jogo, ele apanha mais que o Rocky Balboa em todos os filmes da série. Apanha mais do que qualquer outro jogador no mundo. Se ele provoca, se chama a falta, aí é outra história. Mas apanha. Os caras pisam no pé dele, no tornozelo, dão cotovelada, o UFC todo. E aí ele desaba no chão e, em seguida, rola (e rola, e rola, e…). A hipérbole da sua reação era uma maneira de punir quem o surrava. Uma maneira de gritar: manhê, olha que o meu irmão mais velho fez!

Só que agora não precisava. E por não ter percebido isso, ele foi burro.

Neymar não sacou que, em uma Copa marcada pela vigilância do VAR e, paradoxalmente, por uma certa complacência à porrada (foram poucos amarelos, parecem que não queriam suspender ninguém), não adiantava nada ele rolar no chão daquele jeito. Quer dizer, só adiantou para melhorar nossos memes.

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Não precisava cair como se tivesse levado uma bala perdida. Tava todo mundo vendo. E o artifício, que antes poderia ser uma defesa, passou a ser prejudicial. Contra a Costa Rica, ele preferiu cavar um pênalti (que foi anulado) a continuar o lance. Contra a Bélgica, a mesma coisa. Nas oitavas de final, o cúmulo: sua reação exagerada impediu que o mexicano que pisou criminosamente no seu tornozelo fosse expulso. Neymar gritou e rolou – como ele sempre faz. Então não foi nada de mais, pensou o juiz e o mundo inteiro. Não, o cara tinha que ser expulso!

Nosso maior craque foi burro ao não ver como esse comportamento não fazia mais sentido. Um erro crasso de avaliação das circunstâncias.

Isso tudo prejudicou seu rendimento, o rendimento do time e a sua própria imagem. Neymar virou uma piada: o mundo inteiro o cita mais como mau ator do que como excepcional jogador de futebol. Uma grande burrice.

Claro que ser marrento, mimado, mal-assessorado, ególatra afunda ainda mais a situação. Quem está à sua volta o “protege” tanto que ele continua, aos 26 anos e pai há um tempão, sendo chamado de menino. Sempre foi assim, a começar pela presença onipresente do seu pai (Neymar, uma dica: seu parça Lewis Hamilton estourou de vez na F-1 quando o pai parou de o acompanhar em todas as corridas, negociar com os empresários, decidir tudo por ele. Depois disso, ele virou gente grande).

Nessa Copa, até o Tite, o Edu Gaspar e toda a comissão técnica, supostamente tão equilibrada e justa, colaboraram para passar a mão na cabeça (ora loira, ora não) do “menino”. Ele não dá entrevistas, não dá cara a tapa, não sabe nada dos seus contratos nem das suas declarações de renda. Vive numa bolha. A críticas são tão filtradas que viram apenas conspirações de quem tem inveja dele. Ei, Ney, críticas são também para ver se a pessoa melhora. Se você não as ouve, como vai melhorar?

Mas tudo isso eu sempre perdoei. Porque o cara é foda. Mas burrice, não.

Não existe craque burro.

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Postado por: Marcos Abrucio

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O Despertar pra Copa*

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Dia frio e seco de outono em São Paulo. Um homem de quase 40 anos desperta do sono, com uma leve dor de cabeça e um mal-estar pelo corpo. Tem aquela sensação de quem dormiu além da conta. Olha em volta e percebe que está em um quarto de hospital. Assim que tenta se levantar – sem sucesso, diga-se de passagem – uma enfermeira se aproxima da cama. Parece espantada por vê-lo acordado e sai pela porta dizendo que vai chamar um médico. Logo ele nota o rosto de um velho conhecido a seu lado no quarto.

– Pô, quem diria que você acordaria bem no dia em que eu tivesse um tempinho pra te fazer uma visita…

– Como assim…?

– Ah, faz tempo que eu tava pensando em dar uma passada, mas o trampo na agência…

– Não, não… Quero dizer, “como assim, acordar…?”

O amigo puxa a cadeira para perto da cama e sua expressão, antes de leveza e alegria, fica pesada e séria.

– Cara, você não lembra? Faz 4 anos que você tá assim…

– Assim como?

– De cama… Sem acordar…

– Eu tava em coma?

– Mais ou menos… Bom, os médicos nunca conseguiram diagnosticar exatamente o que você teve…

– Não entendi. O que aconteceu? Foi acidente?

– É, dá pra dizer que foi… Não gosto nem de lembrar.

– Fala logo ou vou ter um piripaque!

– Outro piripaque não! Espera o médico chegar. Vai que você não pode reviver o que causou o trauma.

– Trauma? É, pode ser…

– Vamos mudar de assunto.

– Tá, tá… Até porque esse papo já tá me dando mais dor de cabeça. Pô, 4 anos, né? Deve ter mudado muita coisa…

– Pois é…

O homem se ajeita na cama enquanto o amigo vai lhe contando as novidades.

– E minha família?

– Todos bem, inclusive a sua sobrinha de 3 anos.

– Eu tenho uma sobrinha de 3 anos?! Caraca! Como ela é? Tem foto pra eu ver?

– Segura a ansiedade que ela tá vindo aí com sua família. Já mandei uma mensagem pra eles.

– Ah, boa. Que baita novidade. O que mais rolou?

– Tanta coisa… Nem sei por onde começar.

– A gente tinha um blog para falar da Copa, né?

– Pois é, tô escrevendo semana sim e outra também pra manter nosso blog ativo.

– Tá no ar ainda? Boa. E a seleção? A última coisa que lembro é que tava aos trancos e barrancos na Copa…

– Mudou muito de lá pra cá. Do que mais você lembra?

– Deixa eu ver… Thiago Silva capitão, o gol contra do Marcelo, o Neymar se contundindo…

– Tem muita gente nova no time, mas o Thiago e o Marcelo tão aí até hoje. E o Neymar foi confirmado com a 10 depois de se recuperar da contusão.

– Nossa, ele ainda tava se recuperando da entrada do Zuñiga?

– Não, tava em tratamento de outra contusão… Aliás, daquele time, o Dani Alves e o Fred tão fora de ação, contundidos.

– Dani Alves seguir na seleção, ok. Mas o Fred “cone”?

– Cara, quanto rancor. O Fred até recuperou o faro de gol depois da Copa.

– Difícil de acreditar… Ele ainda é o camisa 9?

– Não, o 9 é o Gabriel Jesus. E o reserva do ataque é o Firmino.

– Jesus? Firmino?

– Os dois surgiram depois da Copa de 2014 e tão entre os 23 convocados pelo Tite pra Copa na Rússia.

– Ah, o Tite assumiu a seleção depois de 2014. Demorou!

– Demorou mesmo porque quem assumiu depois da Copa foi o Dunga. O Tite só veio em 2016.

– Dunga de novo?! É sério? Não faz sentido algum.

– Desencana de tentar entender. E aí, mais alguma lembrança vem à cabeça?

– Bom, o Brasil tava na semi contra a Alemanha, com Bernard e sem Neymar. Me dava até um desespero…

– Vai com calma aí.

– Peraí, agora eu tô lembrando: o Brasil tava perdendo de lavada! E no primeiro tempo!

– Olha o monitor cardíaco bipando: você tá ficando agitado. E cadê o tal médico que tava vindo? Enfermeira!

– Tá bom, tá bom. Mas me conta o que aconteceu. Tem a ver com meu trauma?

– Então… Você entrou em choque quando o Brasil tomou o terceiro gol e não conseguiu mais ver o resto do jogo. Na verdade, nenhum de nós conseguiu. A gente chamou a ambulância e veio pro hospital com você.

– Que trauma. A Alemanha foi pra final então?

– Sim, os alemães pegaram os hermanos na decisão.

– Argentina finalista?! Com aquele time? Só o Messi se salvava. Deve ter sido outra lavada…

– Pior que não. Teve grande chance de ganhar. O Higuaín perdeu um gol feito quando tava zero a zero. Na prorrogação, a Alemanha fez 1 a 0 e levou o caneco.

– Quem diria, o time que nos massacrou contra a nossa maior rival na final. A torcida deve ter ficado dividida.

– Na verdade, os brasileiros torceram em massa pelos alemães. Nossos vizinhos ficaram bem chateados com isso.

– Os Almeida ficaram chateados?

– Não, os meus vizinhos… Os nossos vizinhos: os argentinos.

– Ah, entendi. Mas depois daquela goleada na semi, dá pra entender por que os hermanos esperavam apoio da nossa torcida.

– Com certeza. Mas a rivalidade falou mais alto.

– Eu não sei o que faria. Acho que não conseguiria torcer pelo time que acabou com nosso sonho do Hexa.

– Foi difícil mesmo.

– Pô, torcer pros “culpados” pela nossa maior derrota em uma Copa jogando em casa…

– É, o Maracanazzo já não detém mais esse título.

– Fora a humilhação de levar 3 a 0 em pleno Mineirão…

– Ih, azedou… Você ainda acha que o jogo acabou 3 a 0? Peraí, que agora eu preciso ter certeza de que alguém tá vindo pra te medicar… Enfermeeeeeira!

*História baseada em fatos bem reais e outros nem tanto pra marcar a volta ao blog após 4 anos.

Postado por: Flavio Tamashiro

E se a Copa fosse no Brasil?

Postado por: Marcos Abrucio

A final vai ser aqui. Bem, mais ou menos aqui.

A final vai ser aqui. Bem, mais ou menos aqui.

Esse é o grande problema das datas: uma hora elas chegam. Já está entre nós 2014, o ano que há algum tempo é sinônimo em nossas cabeças de “Copa no Brasil! Copa no Brasil!”.

Desde pequeno ficava imaginando: como seria uma Copa do Mundo por aqui? Itália e Alemanha jogando no mesmo campo de Bangu x América. Os camelôs do Pacaembu vendendo camisetas de Argentina e Camarões. Um bandeirão abrindo no meio da torcida da Inglaterra…  Se o Mundial de 78 foi o do jeito argentino de jogar e torcer, com mais papel higiênico do que grama em campo, uma Copa no Brasil seria uma forma do mundo inteiro ver o jogo como a gente o vê.

A Seleção Alemã adentra o gramado do Maracanã.

A Seleção Alemã adentra o gramado do Maracanã.

Na Copa das Confederações do ano passado, tivemos uma boa amostra de como a “nossa” Copa vai ser, pelo menos dos portões para dentro: tudo no “padrão FIFA”, com o que isso tem de bom e de ruim.

Estádios novos (alguns já velhos), com visual moderno e conforto para o torcedor inédito por estas bandas (também, com as cadeiras e os estádios mais caros do mundo). Tudo muito organizado, limpo, bem sinalizado… e muito pouco brasileiro.

Ops.

Ops.

Já reparou que quando a câmera mostra o interior de qualquer uma dessas novas “arenas” (é, nem estádio chama mais), não dá para saber qual é? Do lado de fora, a arquitetura ainda é única, mas dentro é tudo no tal padrão: as cadeiras são iguais, a distância da torcida para o campo é igual, as dimensões do gramado são iguais, as redes são iguais, até o ângulo de câmera é sempre igual.

Não precisava ser assim. Poderíamos ter uma Copa do Mundo no Brasil que fosse… no Brasil.

Claro que os estádios estavam caindo aos pedaços. Que não dava mais para ser tratado como gado para entrar e sair da arquibancada. Mas era possível fazer reformas estruturais sem perder a nossa cara. Bastava ter pensado melhor em algumas questões:

• Por que em todo estádio o véu da noiva tem que chacoalhar da mesma forma?
A nova rede do Maracanã é igual à do Mané Garrincha que é igual à do Soccer City que é igual à de Yokohama… Por que não podemos ver uma semifinal de Copa do Mundo no Mineirão com seu filó do tamanho de um latifúndio? Ou no Maracanã com aquela rede que já acaba logo depois da linha? Melhor ainda: imagina um jogo decisivo na Fonte Nova com aquelas traves que pareciam de futebol de botão e a rede que quase arrastava no chão:

• Por que não posso comer um McPernil?
Ok, o McDonald’s tem acordo com a FIFA. Legal, vamos vender Big Mac. Mas sem proibir feijão tropeiro no Mineirão, acarajé em Salvador e sanduíche de pernil na porta do estádio em São Paulo (pensando bem, acho que esse a Vigilância Sanitária proibiria de qualquer jeito).

Número 2.

Número 2.

• Por que estádios, desculpe, arenas novinhas em Cuiabá, Manaus, Natal e Brasília, onde nenhum time consegue lotar um estádio, quanto mais uma arena?
Tudo bem, essa é fácil: muita politicagem e algum excesso de otimismo no turismo são a resposta. Mas prossigamos.

Em vez de Manaus, por que não jogar em Belém, onde o Mangueirão está sempre cheio para ver Remo e Paysandu? Em vez de Brasília e Cuiabá, por que não o Serra Dourada, que por décadas sempre foi conhecido como o único dos nossos campos com uma grama decente?

Serra Dourada e seu gramado psicodélico, 1981.

Serra Dourada e seu gramado psicodélico, 1981.

• A Copa tinha que ser no Itaquerão?
Temos que admitir: o Morumbi é um trambolho gigantesco. Tem milhares de pontos cegos, os assentos são distantes do campo, treme assustadoramente, é longe pra burro (desculpe se você mora ali perto, mas você mora longe pra burro) e muito feio esteticamente duvidoso.

Mas sua história também é gigantesca. Acostumamos a tê-lo de pano de fundo de jogos mitológicos. E vá lá: não é possível que uma reforminha bem feita não resolva boa parte dos seus problemas. Reforma que faria bem não só a ele e ao São Paulo, mas aos torcedores de todos os times.

E também à Copa do Mundo: imagine o Fred fazendo um golaço ali e correndo feliz para a galera, como tantas vezes o Careca e o Raí já fizeram. Imagine o Neymar fazendo algo parecido com isso.

Feio? Pensando bem, poucas coisas são tão bonitas como o Morumbi de casa cheia, com um mar de bandeiras como este:

A torcida alemã vibra no Morumbi.

A torcida alemã vibra no Morumbi.

• Mas só o Morumbi presta?
São Paulo já tinha o projeto de dois estádios novos, modernos, reluzentes, pimpões: o do Corinthians e o Palmeiras. Se eles ficassem prontos a tempo da Copa, ótimo. Seriam boas alternativas. Ou poderíamos ainda dar um tapa no Pacaembu, onde 40 mil pessoas estariam maravilhosamente acomodadas. Como sempre estiveram, aliás (lembrando que até jogo de Copa já rolou por ali).

Morumbi reformado, estádios novos, Pacaembu garibado. Na verdade, são todas boas opções. A escolha, então, deveria ser muito simples: a que custasse menos dinheiro público. É, então…

• E o Maraca, hein?
É, parece que do jeito que estava não dava mais. A estrutura estava podre e corria sério risco de cair. Nem vamos lembrar que outras duas reformas já tinham gastado rios de dinheiro nos últimos 15 anos – e que, pelo jeito, deram em nada.

Mas beleza: poderiam ter reformado de novo e mantido não só a fachada, mas também o layout interno, com seus anéis imponentes. E não deixá-lo com cara de uma arena genérica.

Veja bem: o Maracanã está lindo. Mesmo. Mas vale lembrar a impressão de Arbeloa, lateral da Espanha que foi judiado pelo Neymar na final da Copa das Confederações:

 “Quando estivemos no Maracanã, não tive a sensação de jogar em um estádio com tanta tradição. Você chega e vê um estádio moderno, novo, cheio de cores, então não é capaz de te transmitir a história. Tem vestiários confortáveis, modernos e amplos. Não é como quando vamos a Anfield, La Bombonera, ao Monumental de Nuñez, onde você sente o tempo, te transmite a história. Eu gostaria de jogar lá antes da reforma. Não fui capaz de sentir nem pensar que aqui atuaram jogadores tão importantes na história do futebol. Tive a mesma sensação quando joguei, por exemplo, nos estádios novos da África do Sul no Mundial ou os da última Eurocopa. Não parecia um estádio mítico do futebol.”

Disse tudo, cara.

Claro que não há mais espaço no futebol moderno para a geral do Maracanã, mas… peraí, será que não, mesmo? Na Alemanha os torcedores do Borussia tem um espaço para assistir aos jogos como sempre assistiram: em pé, urrando como doidos.

Mané e os geraldinos.

Mané e os geraldinos.

Talvez não desse para manter o fosso e os geraldinos quase sem visão, mas será que não dava para preservar o espírito do estádio, o mais democrático do mundo?

O povão dava o recado no Maraca.

O povão dava o recado no Maraca.

Será que não poderíamos ter a final da Copa em um estádio moderno e confortável, mas que carregasse as marcas da sua história? De perto, o Camp Nou é imponente, colossal, bem cuidado, mas não esconde que tem mais de 50 anos. O Maraca Nou poderia ser assim também.

Outra coisa: encurtaram o gramado! O Maracanã tinha um dos maiores campos do mundo, com espaço bastante para não deixar nenhuma retranca funcionar – o que sempre ajudou o nosso jeito de jogar.

• Resumindo:
Poderíamos consertar as infiltrações, melhorar a visibilidade da platéia, instalar um telão novo mas mantendo as dimensões do tapete – e deixando o palco de tantas histórias mais reconhecível.

Com cara de quem já viu vitórias e derrotas, comédias e tragédias. De quem já viu Pelé fazer o primeiro dos gols de placa e o milésimo dos gols de Rei. De quem viu Mané sorrir e dizer adeus. Já viu goleadas históricas e peladas perfeitamente esquecíveis. Viu Romário dar uma caneta em Maradona, viu Maradona acertar o travessão do meio do campo, viu Gaúcho pegar pênalti, viu Rivelino, Dinamite, ouviu o Frank. Viu Zico jogar.

Não é pouca coisa.

Gênios trabalhando no Maracanã.

Gênios trabalhando no Maracanã.

E, por fim,

• Pô, por que raios tiraram o orelhão de trás do gol do Maracanã?

Alô?

Cadê você?

Os 23 hoje, 24/07/2012

Postado por: Marcos Abrucio

Para espantar a poeira destas bandas, inauguro agora mais uma espetacular seção* aqui no Copawriters: Os 23 hoje.

O propósito dela é, como o nome sutilmente sugere, listar os 23 jogadores que deveriam estar na seleção se o dia da convocação para a Copa fosse… hoje.

O critério científico para a elaboração desta lista é justamente imaginar que não falta mais nenhum minuto para o prazo final. Não dá mais para esperar um bom lateral-esquerdo aparecer, o Kaká voltar a jogar bem ou o Adriano perder 20 kg. Já era, acabou o tempo.

Nesse cenário, com quem a seleção deveria contar? Ora, eu digo. De nada, Mano.

“Joia!”

Tudo isso, claro, segundo a minha reles opinião, desculpaê. E como amanhã a minha opinião vai ser diferente da de hoje, que aliás é diferente da de ontem, a lista vai mudar o tempo todo.

Por isso esta seção será atualizada periodicamente. Para ver os nomes que se manterão, os que ficarão pelo caminho, os que surgirão do nada. No fim, vamos conferir quais integrantes da lista oficial, citados com orgulho na entrevista coletiva da CBF às vésperas da Copa, estiveram por aqui desde o começo. Oh, que expectativa.

***

Escrevo a lista abaixo antes das Olimpíadas, que certamente queimarão minha língua. Mas tudo bem. A ideia é essa mesmo: ver os fatos me contradizerem.

E lógico que vão me contradizer, ô se vão. A realidade tem essa mania chata de desmentir tudo que a gente acha.

Certeza que amanhã mesmo algum jogador que eu “convoquei” vai se contundir seriamente; outro vai cair na gandaia; um vai parar de jogar bem, outro vai voltar a jogar mal; vai ter jogador ficando sem clube, jogador sendo vendido para a Espanha (e caindo na gandaia), sendo vendido para a Ucrânia (e caindo em depressão); jogador sumindo, mascarando, namorando uma paniquete, se aposentando ou, sei lá, trocando de sexo (e caindo na gandaia).

Bom, hoje esses caras fazem parte dos 23. Amanhã, pode ser que não.

Certeza também que um moleque de quem nunca se ouviu falar, que hoje tem 15 anos e joga bola numa rua de terra ou na quadra da escola ou no condomínio ou na escolinha do Rivellino vai chegar arrebentando em 2014 e será convocado após um clamor nacional e se tornará o craque da Copa, amém.

Esse moleque não está nos 23 hoje. Amanhã, pode estar.

***

Última (e dolorosa) coisa: não temos 23 craques. Alguns nomes desta lista estão bem longe disso. Mas eu não podia deixá-la incompleta.

Goleiro, por exemplo. Tá fraco. Pensei em colocar como terceira opção um cone, mas fiquei com medo de confundirem com o Doni, então melhor não.

Craques, tapa-buracos ou enganadores, isso é o que temos por hoje:

Goleiros:
Julio Cesar (Internazionale/ITA)
Jefferson (Botafogo)
Gabriel (Milan/ITA)

Laterais:
Daniel Alves (Barcelona/ESP)
Maicon (Internazionale/ITA)
Marcelo (Real Madrid/ESP)
Rafael (Manchester/ING)

Zagueiros:
Thiago Silva (Paris Saint Germain/FRA)
David Luiz (Chelsea/ING)
Dedé (Vasco)
Juan (Internazionale/ITA)

Meio-campistas:
Sandro (Tottenhan/ING)
Rômulo (Spartak/RUS)
Paulinho (Corinthians)
Hernanes (Lazio/ITA)
Ramires (Chelsea/ING)
Oscar (Chelsea/ING)
Ronaldinho Gaúcho, pois é (Atlético Mineiro)
Lucas (São Paulo)
Messi  (Ah, não pode? Perdão.)

Atacantes:
Neymar (Santos)
Leandro Damião (Internacional)
Bernard (Atlético Mineiro)
Hulk (Porto/POR)

Agora eu te entendo, Dunga. Mentira, não entendo, não.

Agora eu te entendo, Dunga. Mentira, não entendo, não.

***

* E, em breve, voltamos com mais uma seção, os Uniformes Inesquecíveis da Humanidade. Prometo!).

Time Copeiro x Time de Copa

A nova dupla NeyMano.

É inevitável falar do assunto, amigos.

Ainda mais porque, depois de tudo o que já falamos e refalamos neste blog, a reestréia da Seleção Brasileira em New Jersey só aumentou a sensação de fracasso total deixada pela Copa do Mundo deste ano.

Afinal de contas, o que assistimos sorridentes ontem a noite foi um grupo jovem e diferenciado, que entrou em campo decidido a cumprir uma única tarefa: a de jogar bola. E como é bom ver a Seleção jogando bola!

Ver as pedaladas e jogadas em velocidade de Neymar, Robinho e Pato, os passes e a cadência de Paulo Henrique Ganso, a aplicação e técnica de Lucas e Ramires, a qualidade e tranqüilidade de novatos como Thiago Silva e David Luiz; e por aí vai. Até André Santos, questionado antes do mundial da África, foi bem.

Ganso e Pato também brilharam.

Claro que foi apenas uma primeira impressão. Claro que era um amistoso. Óbvio que o grupo de Mano Menezes não será restrito aos atletas que estiveram em campo nos EUA. Mais óbvio ainda que este time não nasceu pronto. Todavia, ficou ainda mais nítida a impressão de que muitos ali deveriam e mereciam ter envergado a camisa verde-amarela dois meses atrás.

Na verdade, para mim e para 99% da população brasileira, ficou ainda mais claro o quanto aquele time copeiro de Dunga precisava de um pouco mais de time de Copa.

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Em tempo: a CBF não tem mesmo senso do ridículo.

Depois de comprar a briga de Dunga e jurar que ia junto com o treinador até o fim dos tempos, a máfia de Ricardo Teixeira aproveitou logo a primeira chance que teve para ridicularizar o ex-treinador.

Em uma política mesquinha de “boa vizinhança”, a Confederação Brasileira de Futebol deu uma camisa da Seleção para o jornalista global Alex Escobar como pedido de desculpas pelo mal entendido durante a Copa.

Ou seja, lavou suas mãos não somente quanto às atitudes de Dunga, quanto ao seu fracasso no torneio. Não que seja algo inesperado, mas também não deixa de ser ridículo.

Postado por: Henrique Rojas.

Última chamada para o craque

Já tentei de tudo. Humildemente, abri uma campanha para o Dunga limar pelo menos um dos volantes que infestam a seleção. Armei uma seleção “B” cheia de Gansos e Neymars só para atazanar a “A”. Mostrei que Ronaldinho Gaúcho decidiu muito mais do que um jogo. Quase fui para a fogueira ao dizer que ficaria feliz com o sucesso de Messi na Copa.

Nada deu certo, o que no fundo prova apenas a minha insignificância. Mas agora lanço meu último argumento para tentar introduzir um pouco mais de talento na seleção que sempre foi a mais talentosa de todas:

Os craques nos fazem torcer.

Repetindo: ao todo, Dunga pode levar oito volantes e possíveis volantes para a Copa. Uma desproporção, ainda mais que a moda agora é levar só quatro atacantes, e não cinco, como antigamente.

A lista têm muitos carregadores e poucos afinadores de piano. Sem contar que dentre os prováveis escolhidos vários passam por má fase. São reservas em seus times, ou sofrem com contusões. A zica acomete até o nosso principal pianista, Kaká.

Com tudo isso, fica claro: vai faltar craque. O cara que muda o andamento da partida, que surpreende a todos com um drible, que usa a fantasia para decidir o jogo etc.

Muricy Ramalho, que para muitos tem “retranqueiro” escrito na testa, disse na revista da ESPN deste mês:

“Copa do Mundo se ganha com um diferente, e o nosso único diferente é o Kaká, que é o cara que pode pegar a bola no meio campo e levar dentro do gol dos caras.”

Quer ver como o diferente faz diferença? A França fazia campanha opaca na última Copa. Na primeira fase, dois empates e uma vitória magra contra o Togo. Zidane mal aparecia. Nas oitavas de final, perdia de 1 a 0 da Espanha. Aí, ôôô, Zidane voltou. Ele comandou a virada sobre os espanhóis, com direito a um golaço no final:

Zizou engrenou e, no jogo seguinte, fez aquilo que todos lembram contra o Brasil. A França ainda passou por Portugal e só perdeu a final nos pênaltis — quando Zidane não estava mais em campo.

A crença no craque, no diferente, no iluminado, no ET explica a minha campanha pelo Gaúcho, que, pelo jeito, nem ele acreditou. Explica também o clamor popular pelo Ganso e pelo Neymar.

Mas inocular gênios no nosso time não serve apenas para resolver nossos problemas técnicos. O craque pode também nos fazer empolgar de novo com a seleção.

Alguns posts abaixo, listei os motivos do divórcio entre torcida e seleção — entre eles, a falta de jogadores dos times que torcemos, a discordância entre o gosto popular e o do técnico da seleção e a diferença entre o futebol que queremos e o que vemos o Brasil apresentar.

Tantos fatores não permitem uma solução fácil. Mas colocar craques no time pode ser um ótimo paliativo para essa relação.

Veja o caso do Corinthians. A torcida é enorme,  apaixonada e sempre lotou os estádios por onde vai. Aí chegou o Ronaldo. Mais gente, pagando (muito) mais começou a seguir o time. Mulheres, crianças, gente de outros estados, de outros países começaram a ir no estádio, a procurar notícias sobre o time. O ídolo tem seu próprio público.

O primeiro gol que ele fez com a camisa alvinegra, no último minuto de um jogo contra o Palmeiras, fez muitos palmeirenses esquecerem 96 anos de rivalidade para aplaudirem:

Palmeirenses que, independentemente da fase do seu time, sempre ficam mais tranqüilos quando vêem que Marcos está no gol. A mesma coisa com são-paulinos e Rogério Ceni.

Mas os maiores exemplos atuais são o Santos da molecada e o Barcelona de Messi. Neste primeiro semestre, até fiz força, mas não deu para torcer contra a garotada praiana. Não ao ver Neymar tabelando com Robinho e fazendo golaços atrás de golaços em plena final. Não ao presenciar Ganso reinventando o jogo, dando assistências de calcanhar, dando lençóis no espaço de um lenço e exigindo ficar em campo para fazer mais.

O mesmo vale para Messi. De novo: se ele continuar jogando nesse nível na Copa, vamos ter que, simplesmente, aplaudir.

Precisamos de craques para torcer. Para nos envolver, para nos grudar na cadeira. O ídolo faz isso. Jordan, Schumacher, Tiger Woods faziam isso. Pelé, Maradona, Romário, Ronaldo, todos fizeram em algum momento o mundo inteiro sentar do mesmo lado da arquibancada.

Se não temos mais aquela paixão pela “amarelinha” (você sim, Zagallo), ainda temos pelo ídolo. Na década de 80, tínhamos Zico, Sócrates, Falcão, Careca… Em 94, Romário. Em 98, Ronaldo. Em 2002, os 3 Rs: Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho.

Em 2006, tínhamos o quarteto mágico, que… é, mau exemplo. Nem sempre só o craque é suficiente. Mas dessa vez temos um time. A seleção de Dunga, fale o que quiser, é um time. Unido, sério, compenetrado, vencedor. Só falta o talento do craque.

O brilho de Kaká (ofuscado pela pubalgia), o de Robinho e o de Luis Fabiano (que de vez em quando piscam) podem não ser o bastante.

Ainda dá tempo de contar com o talento de Ganso. Apertando um pouquinho, dá para o Gaúcho e para o Neymar. Dava até para o Ronaldo — se a Copa fosse no ano passado…

Ainda dá tempo para chamar o craque, Dunga.

E com isso, aqui se encerram as minhas súplicas. Agora é esperar. Até amanhã, às 13h, horário de Brasília.

Postado por: Marcos Abrucio

Nossa seleção não é mais nossa

Já leu o post do Flávio sobre a preferência dos torcedores pelo seu time em detrimento da seleção? Não? Então dá uma olhada: “Brasil: o segundo time de todo brasileiro. Eu fico aqui esperando.

Então. Tirando a parte que diz que felizes são as mulheres, que só sofrem a cada quatro anos — eu diria que elas sofrem a cada mês… — concordo com tudo que ele escreveu.

Só queria acrescentar mais um fator que explica essa preferência: a atual falta de identificação da torcida com o time nacional.

Muita gente não consegue mais se emocionar com o “escrete” brasileiro. Não sabe mais nem o que é “escrete”. A cada quatro anos, as pessoas torcem, compram camisa e tudo mais, mas se o Brasil perde, ok. Não ficam nem putas.

Sem querer me alongar, o que é muito, muito difícil, eu diria que isso acontece por alguns fatores:

1 – O povo não se sente mais “dono” da seleção.

A dona do time canarinho é a dona CBF, que é vista com antipatia pela maioria da galera.

Antipatia totalmente justificada, diga-se logo de cara. Ela tem a mesma administração, desculpe, “administração” há mais de 20 anos. Nesse período, por um lado conquistamos duas Copas do Mundo, três Copas das Confederações e cinco edições da Copa América. Por outro, acumulamos casos de corrupção, escândalos de arbitragem, manipulação de resultados, viradas de mesa, mortes nos estádios, um campeonato brasileiro vergonhoso (Taça João Havelange, lembra?) e estádios caindo aos pedaços.

Será que dá para torcer tanto assim para o time dessa entidade?

Torcer para o time dele?

2 – A seleção nunca joga aqui, só na gringa.

Lembra que antigamente quase todo mês tinha um amistoso da seleção contra uma Iugoslávia ou Islândia da vida lotando o Castelão, o Mangueirão, o Mineirão, Serra Dourada?

Pois é. Por interesses econômicos, os amistosos da seleção agora são sempre na Europa ou para os petromagnatas de Abu Dabi.

Tudo bem que o mundo mudou, não é fácil convencer os times europeus a liberarem os jogadores para virem jogar em Manaus e voltar. Mas desse jeito, o povão acaba encontrando a seleção apenas em jogos esparsos das eliminatórias e na Copa, pela TV. A cada quatro anos.

E também no futebol, namoros à distância não funcionam.

3 – Os jogadores do seu time não jogam mais na seleção.

Fato: com os times brasileiros quebrados, a maioria dos nossos melhores jogadores acaba indo para o exterior. E a seleção, lar natural dos melhores, tem que necessariamente recorrer aos “estrangeiros”.

Uma pena. Porque quando o craque do seu time vai para a seleção, você torce duas vezes. Você fica de olho nele o jogo inteiro. Reza para ele não pisar na bola. Para ele fazer um golaço e assim todos verem como é bom tê-lo como ídolo. Bom, pelo menos foi assim que eu me senti nesse dia:

Hoje em dia, tem torcedor que nem quer que o craque do seu time seja convocado. Ele pode jogar mal e se queimar, como Diego Souza contra a Bolívia, no ano passado, pode se machucar e ficar sem jogar pelo seu time ou, pior, pode se destacar e chamar a atenção de um time europeu. O que nos leva ao próximo item:

4 – A impressão de que a seleção é um balcão de negócios.

Já aconteceu bastante: o treinador da seleção chama um cara que você nunca ouviu falar. Ele vai lá, joga alguns minutos e, no mês seguinte, é vendido para um time do Leste Europeu.

É natural que os times europeus cresçam seus olhos para os selecionáveis brasileiros. Mas que nomes como Jônatas, Mozart, Fábio Rochemback, Eduardo Costa e Leomar com a camisa amarela levantam suspeitas, levantam.

Ainda mais quando outros jogadores em ótima fase são deixados de lado.

E. Costa, Mozart. Leomar e Jônatas

Eles jogaram na seleção. E você?

5 – O técnico da seleção não ouve a galera.

Por teimosia pura, pela crença de que só quem está lá fora tem a experiência necessária para ser convocado, pelos interesses suspeitos citados acima ou por não querer se levar pelo clamor popular, os técnicos da seleção costumam ignorar os jogadores que a torcida pede.

Às vezes dá certo, como quando Felipão ignorou o Romário em 2002. Mas o que explica não levar o Falcão em 1978? E o Neto em 1990?

E o Neymar e o Ganso em 2010? Ih, polêmica.

6 – Já vimos a seleção ganhar tudo.

Temos que admitir: não vamos gritar “é hexa!” da mesma forma que gritamos “é tetra!”.

O fato de termos ganho duas das últimas quatro Copas tirou um pouco o sabor da novidade. Já escrevi antes que o tetracampeonato foi especial porque a vitória de uma Copa do Mundo era algo totalmente impensável para nossa geração. O titulo era coisa para a Alemanha ou então para Pelé e gigantes de um passado longínquo. Nós nem passávamos mais das quartas.

Já para quem tem 20 anos hoje, o diferente é perder. Eles devem bocejar quando o Brasil chega numa final. Eu gritei como um louco a primeira vez que vi isso…

E, como corintiano, devo dizer uma doída verdade: o sofrimento cria laços. Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, sabe?

Mas se a demanda por títulos foi saciada, falta outra: a demanda por jogar bem.

7 – A seleção não joga como queremos.

A imagem que temos do que é o “futebol brasileiro” foi formada pelos teipes dos nossos três primeiros títulos, pelos dribles de Garrincha no Maracanã, pelo encantamento global provocado por Pelé, pela alegre seleção de 1982 e, talvez, pelos comerciais da Nike.

Por isso, tem muito chato que torce o nariz para o tetra, em 1994. “Temos que jogar bonito, pô!” — como se o que o Romário fez naquela Copa não tivesse sido lindo.

Mas tudo bem. Já que saímos da fila, podemos nos soltar e jogar o verdadeiro futebol brasileiro, bonito, alegre, certo? É o que todo brasileiro esperou depois de 1994.

E que poucas vezes conseguimos realizar. Talvez porque a imagem idealizada do tricampeonato no México e dos comerciais da Nike sejam apenas utopias, impossíveis de ser repetidas. Ou porque técnicos como Dunga discordam de quem quer espetáculo. “Temos que ganhar, pô!”

Joga, bonito.

Não tenho opinião formada. Quero ganhar a Copa. Também quero me encantar com o futebol da seleção. Talvez esse nosso futebol “mágico” não exista mais. Talvez nunca tenha exisitido. Mas pô, podia levar um volante a menos, né.

Acho que formei minha opinião: o ideal é jogar bonito para ganhar. Usar o talento, o drible, o espetáculo como diferencial competitivo. Como armas para superar o adversário. Como caminho (mais curto) para a vitória.

E, por fim:

8 – A torcida brasileira é chata para caramba

Mea culpa: somos malas. Talvez por todos fatores anteriores, em especial o último, somos exigentes demais e apoiadores de menos.

Se aos 10 minutos do primeiro tempo não teve nenhum chapéu, vaiamos. Se o time está bem marcado, vaiamos. Se erramos três passes, vaiamos.

Estou generalizando, claro. Eu mesmo não faço isso. Sou dos que ainda se empolgam com jogo da seleção. Mas dá até vergonha nos compararmos com outras torcidas. Como a argentina, que, ao menos o que diz o clichê, canta e apóia o jogo todo, até o fim, até se perder.

Tudo bem que o público que vai ao jogo da seleção é diferente do torcedor comum, que está acostumado a sofrer e sabe que o time precisa do seu apoio. Mas bem que podíamos ser mais torcedores e menos críticos.

Podíamos, ao menos um pouquinho, tratar a seleção como nosso time. Mas agora você já sabe porque isso não acontece.

Postado por: Marcos Abrucio.