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E se a Copa fosse no Brasil?

Postado por: Marcos Abrucio

A final vai ser aqui. Bem, mais ou menos aqui.

A final vai ser aqui. Bem, mais ou menos aqui.

Esse é o grande problema das datas: uma hora elas chegam. Já está entre nós 2014, o ano que há algum tempo é sinônimo em nossas cabeças de “Copa no Brasil! Copa no Brasil!”.

Desde pequeno ficava imaginando: como seria uma Copa do Mundo por aqui? Itália e Alemanha jogando no mesmo campo de Bangu x América. Os camelôs do Pacaembu vendendo camisetas de Argentina e Camarões. Um bandeirão abrindo no meio da torcida da Inglaterra…  Se o Mundial de 78 foi o do jeito argentino de jogar e torcer, com mais papel higiênico do que grama em campo, uma Copa no Brasil seria uma forma do mundo inteiro ver o jogo como a gente o vê.

A Seleção Alemã adentra o gramado do Maracanã.

A Seleção Alemã adentra o gramado do Maracanã.

Na Copa das Confederações do ano passado, tivemos uma boa amostra de como a “nossa” Copa vai ser, pelo menos dos portões para dentro: tudo no “padrão FIFA”, com o que isso tem de bom e de ruim.

Estádios novos (alguns já velhos), com visual moderno e conforto para o torcedor inédito por estas bandas (também, com as cadeiras e os estádios mais caros do mundo). Tudo muito organizado, limpo, bem sinalizado… e muito pouco brasileiro.

Ops.

Ops.

Já reparou que quando a câmera mostra o interior de qualquer uma dessas novas “arenas” (é, nem estádio chama mais), não dá para saber qual é? Do lado de fora, a arquitetura ainda é única, mas dentro é tudo no tal padrão: as cadeiras são iguais, a distância da torcida para o campo é igual, as dimensões do gramado são iguais, as redes são iguais, até o ângulo de câmera é sempre igual.

Não precisava ser assim. Poderíamos ter uma Copa do Mundo no Brasil que fosse… no Brasil.

Claro que os estádios estavam caindo aos pedaços. Que não dava mais para ser tratado como gado para entrar e sair da arquibancada. Mas era possível fazer reformas estruturais sem perder a nossa cara. Bastava ter pensado melhor em algumas questões:

• Por que em todo estádio o véu da noiva tem que chacoalhar da mesma forma?
A nova rede do Maracanã é igual à do Mané Garrincha que é igual à do Soccer City que é igual à de Yokohama… Por que não podemos ver uma semifinal de Copa do Mundo no Mineirão com seu filó do tamanho de um latifúndio? Ou no Maracanã com aquela rede que já acaba logo depois da linha? Melhor ainda: imagina um jogo decisivo na Fonte Nova com aquelas traves que pareciam de futebol de botão e a rede que quase arrastava no chão:

• Por que não posso comer um McPernil?
Ok, o McDonald’s tem acordo com a FIFA. Legal, vamos vender Big Mac. Mas sem proibir feijão tropeiro no Mineirão, acarajé em Salvador e sanduíche de pernil na porta do estádio em São Paulo (pensando bem, acho que esse a Vigilância Sanitária proibiria de qualquer jeito).

Número 2.

Número 2.

• Por que estádios, desculpe, arenas novinhas em Cuiabá, Manaus, Natal e Brasília, onde nenhum time consegue lotar um estádio, quanto mais uma arena?
Tudo bem, essa é fácil: muita politicagem e algum excesso de otimismo no turismo são a resposta. Mas prossigamos.

Em vez de Manaus, por que não jogar em Belém, onde o Mangueirão está sempre cheio para ver Remo e Paysandu? Em vez de Brasília e Cuiabá, por que não o Serra Dourada, que por décadas sempre foi conhecido como o único dos nossos campos com uma grama decente?

Serra Dourada e seu gramado psicodélico, 1981.

Serra Dourada e seu gramado psicodélico, 1981.

• A Copa tinha que ser no Itaquerão?
Temos que admitir: o Morumbi é um trambolho gigantesco. Tem milhares de pontos cegos, os assentos são distantes do campo, treme assustadoramente, é longe pra burro (desculpe se você mora ali perto, mas você mora longe pra burro) e muito feio esteticamente duvidoso.

Mas sua história também é gigantesca. Acostumamos a tê-lo de pano de fundo de jogos mitológicos. E vá lá: não é possível que uma reforminha bem feita não resolva boa parte dos seus problemas. Reforma que faria bem não só a ele e ao São Paulo, mas aos torcedores de todos os times.

E também à Copa do Mundo: imagine o Fred fazendo um golaço ali e correndo feliz para a galera, como tantas vezes o Careca e o Raí já fizeram. Imagine o Neymar fazendo algo parecido com isso.

Feio? Pensando bem, poucas coisas são tão bonitas como o Morumbi de casa cheia, com um mar de bandeiras como este:

A torcida alemã vibra no Morumbi.

A torcida alemã vibra no Morumbi.

• Mas só o Morumbi presta?
São Paulo já tinha o projeto de dois estádios novos, modernos, reluzentes, pimpões: o do Corinthians e o Palmeiras. Se eles ficassem prontos a tempo da Copa, ótimo. Seriam boas alternativas. Ou poderíamos ainda dar um tapa no Pacaembu, onde 40 mil pessoas estariam maravilhosamente acomodadas. Como sempre estiveram, aliás (lembrando que até jogo de Copa já rolou por ali).

Morumbi reformado, estádios novos, Pacaembu garibado. Na verdade, são todas boas opções. A escolha, então, deveria ser muito simples: a que custasse menos dinheiro público. É, então…

• E o Maraca, hein?
É, parece que do jeito que estava não dava mais. A estrutura estava podre e corria sério risco de cair. Nem vamos lembrar que outras duas reformas já tinham gastado rios de dinheiro nos últimos 15 anos – e que, pelo jeito, deram em nada.

Mas beleza: poderiam ter reformado de novo e mantido não só a fachada, mas também o layout interno, com seus anéis imponentes. E não deixá-lo com cara de uma arena genérica.

Veja bem: o Maracanã está lindo. Mesmo. Mas vale lembrar a impressão de Arbeloa, lateral da Espanha que foi judiado pelo Neymar na final da Copa das Confederações:

 “Quando estivemos no Maracanã, não tive a sensação de jogar em um estádio com tanta tradição. Você chega e vê um estádio moderno, novo, cheio de cores, então não é capaz de te transmitir a história. Tem vestiários confortáveis, modernos e amplos. Não é como quando vamos a Anfield, La Bombonera, ao Monumental de Nuñez, onde você sente o tempo, te transmite a história. Eu gostaria de jogar lá antes da reforma. Não fui capaz de sentir nem pensar que aqui atuaram jogadores tão importantes na história do futebol. Tive a mesma sensação quando joguei, por exemplo, nos estádios novos da África do Sul no Mundial ou os da última Eurocopa. Não parecia um estádio mítico do futebol.”

Disse tudo, cara.

Claro que não há mais espaço no futebol moderno para a geral do Maracanã, mas… peraí, será que não, mesmo? Na Alemanha os torcedores do Borussia tem um espaço para assistir aos jogos como sempre assistiram: em pé, urrando como doidos.

Mané e os geraldinos.

Mané e os geraldinos.

Talvez não desse para manter o fosso e os geraldinos quase sem visão, mas será que não dava para preservar o espírito do estádio, o mais democrático do mundo?

O povão dava o recado no Maraca.

O povão dava o recado no Maraca.

Será que não poderíamos ter a final da Copa em um estádio moderno e confortável, mas que carregasse as marcas da sua história? De perto, o Camp Nou é imponente, colossal, bem cuidado, mas não esconde que tem mais de 50 anos. O Maraca Nou poderia ser assim também.

Outra coisa: encurtaram o gramado! O Maracanã tinha um dos maiores campos do mundo, com espaço bastante para não deixar nenhuma retranca funcionar – o que sempre ajudou o nosso jeito de jogar.

• Resumindo:
Poderíamos consertar as infiltrações, melhorar a visibilidade da platéia, instalar um telão novo mas mantendo as dimensões do tapete – e deixando o palco de tantas histórias mais reconhecível.

Com cara de quem já viu vitórias e derrotas, comédias e tragédias. De quem já viu Pelé fazer o primeiro dos gols de placa e o milésimo dos gols de Rei. De quem viu Mané sorrir e dizer adeus. Já viu goleadas históricas e peladas perfeitamente esquecíveis. Viu Romário dar uma caneta em Maradona, viu Maradona acertar o travessão do meio do campo, viu Gaúcho pegar pênalti, viu Rivelino, Dinamite, ouviu o Frank. Viu Zico jogar.

Não é pouca coisa.

Gênios trabalhando no Maracanã.

Gênios trabalhando no Maracanã.

E, por fim,

• Pô, por que raios tiraram o orelhão de trás do gol do Maracanã?

Alô?

Cadê você?

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F-Copa

Postado por: Marcos Abrucio

Engana-se quem acha que na vida existem coisas importantes e coisas desimportantes. Não, senhor. Existem também as Coisas Realmente Importantes (CRI).

E uma dessas CRIs está prestes a dar as caras em 2012. Estou falando da Fórmula 1, óbvio.

O que não é tão óbvio assim é um jeito decente de falar de Formula 1 aqui, em um blog sobre futebol e, mais especificamente, sobre a Copa do Mundo. Não tem nada a ver.

Por outro lado, a próxima Copa ainda está longe (pelo menos é o que esperam os pedreiros dos estádios) e não dá para comentar muito sobre uma seleção que sua para ganhar no último minuto da Bósnia. Enquanto isso, a crise de abstinência para ver uma corridinha depois de meses de espera vai, finalmente, acabar nesta semana.

Sendo assim, vamos fazer um esforço. Com um pouquinho de boa vontade, dá para enxergar uma relação entre a categoria principal do automobilismo e o momento mais importante do futebol.

Podemos imaginar, por exemplo, que campeões de F-1 seriam os campeões mundiais de futebol. Hã? Hã? Que tal? Fraco? Bom, tarde demais.

***

Começando pelo Brasil, pentacampeão mundial. Que campeão de F-1 seria equivalente a ele? Fácil, o que tem mais títulos: Michael Schumacher, feliz proprietário de sete canecos.

Ééééééé... do Brasil! Do Brasil?

O piloto alemão é uma belíssima escolha para melhor de todos os tempos. Assim como a seleção brasileira, que no imaginário mundial se tornou sinônimo de futebol bonito, em especial pelo desempenho fantástico nas Copas de 58, 62 e 70.

Schumi também empilhou atuações de gala em sua carreira interminável. Entre suas 91 vitórias (!), muitas são inesquecíveis. Como a do Grande Prémio da Bélgica de 1995, quando largou em 16o. e passou todo mundo embaixo de chuva, mesmo com pneus para pista seca em boa parte do tempo. Um baile.

Há quem reclame que Schumacher só ganhou tantos títulos porque teve a sorte de, no começo dos anos 2000, sentar no melhor carro (Ferrari), com o apoio do melhor projetista da época (Rory Byrne) e de um dos melhores estrategista da história da F-1 (Ross Brawn). Sacanagem, né?

Mas o Brasil também não teve a sorte de poder escalar no mesmo time Pelé, Garrincha, Didi e Nilton Santos (em 1958) ou Pelé, Tostão, Gérson, Rivellino e Jairzinho (em 1970)? Então.

Como se esgoelaria o Galvão: Michael Schumacher é o Brasil na Formula 1!

***

E a Itália, quem seria? Alain Prost. Ambos têm quatro títulos mundiais e estão, sem dúvida, no topo dos seus respectivos esportes. Tá certo que algumas vezes eles venceram sem jogar muito bonito, mas venceram.

A retranca italiana mandou para casa seleções que tinham o futebol muito mais vistoso, como a de Zico, Sócrates e Falcão, em 1982. Prost sempre foi cerebral e preciso como um bom zagueiro italiano. E também derrotou brasileiros que jogavam mais bonito: Nelson Piquet em 1986 e Ayrton Senna, em 1989.

Só que, assim como os italianos, o narigudo também sofreu com os brasileiros. Se a Azzurra perdeu as finais de 1970 e 1994 para nós, Prost levou um chapéu de Piquet em 1983 e apanhou de Senna metaforicamente em 1988 e literalmente em 1990:

O piloto francês e a seleção italiana têm muitas semelhanças. O engraçado é que quando Prost foi pilotar na Itália, ele não se deu muito bem, não. Acabou demitido da Ferrari no meio da temporada de 1991, após ter comparado o carro vermelho com um caminhão.

***

Agora a Alemanha. Hmmm. Difícil, hein?

Vamos para a próxima. Depois eu volto aos germânicos.

***

Que campeão de Fómula 1 seria a seleção argentina? Sob o risco de levar pedradas dos dois lados da fronteira, Senna.

Explico. Tanto a seleção portenha como o piloto brasileiro têm fãs devotos, ferrenhos e raivosos, que acham seus ídolos os melhores de todos os tempos em seus respectivos esportes (apesar da matemática jogar contra: nem a Argentina nem Senna são os que mais vezes foram campeões do mundo, mas vai falar isso para um torcedor argentino ou para um hincha sennista).

Mais: os argentinos juram que se a Segunda Guerra Mundial não tivesse impedido a realização de duas Copas, eles seriam muito mais do que bicampeões. Faz sentido. Na década de 40, o time deles era quase imbatível.

Já os sennistas sempre vão argumentar que o piloto brasileiro poderia ter ganho mais do que três títulos não fosse a Tamburello. Faz sentido. O talento de Senna era incontestável, e a gana por mais e mais vitórias, também.

E se o ponto alto da seleção argentina nas Copas foi aquela pintura do Maradona na Copa de 86, Senna também fez um golaço em que partiu lá de trás e driblou meia dúzia para chegar na rede, ops, na frente. Foi na primeira volta do GP da Europa, em Donington, em 1993:

***

Imagine ser um piloto brasileiro dentro de uma escuderia inglesa ­— e que seu companheiro de time também é inglês. Ele é, naturalmente, o preferido de todos dentro do box. Imagine enfrentar esse cara (e toda a torcida contra do resto da equipe) e ainda se tornar o campeão do mundo.

Piquet fez isso em 87, na Williams, quando bateu um Nigel Mansell em ótima fase. E a seleção do Uruguai fez algo parecido em 1950. O Brasil sediava a Copa, fazia uma campanha cheia de goleadas e na final botou 200 mil torcedores no Maracanã. Perdeu para os uruguaios.

Tem brasileiro que esquece o pilotaço que Piquet foi. Três vezes campeão do mundo na década mais disputada da história da Formula 1. Talvez o melhor acertador de carros da categoria. Inventivo, estrategista, marrento, nunca ligou muito para patriotadas ­­— talvez por isso não seja, até hoje, tão popular quanto mereceria.

Por conta de terem ganho “só” duas Copas, os uruguaios também não são muito lembrados pela sua grandeza. Injusto. O princípio da história das Copas foi todo celeste: vencedores em 1930, boicotaram as edições seguintes (marrentos…) e voltaram em 1950 para serem campeões de novo. E só foram perder uma partida de Copa do Mundo nas semifinais de 1954, contra a Hungria.

Depois de décadas com times medíocres, o Uruguai voltou ao seu lugar em 2010: foi semifinalista na África do Sul. E campeão da Copa América no ano passado. Ei, o Piquet também podia voltar, né?

***

E a Alemanha? Aiaiai. Passo.

***

A seleção inglesa venceu a Copa do Mundo apenas uma vez, em 1966. Os pilotos ingleses costumam repetir esse roteiro. Nenhum outro pais tem tantos corredores “monocampeões”: Mike HawthornJohn SurteesJames HuntNigel MansellDamon HillLewis Hamilton e Jenson Button.

Qual desses pilotos seria equivalente à Inglaterra? Os torcedores ingleses, apaixonados por ambos os esportes, adorariam que fosse Lewis Hamilton (talentosíssimo, com muitas glórias pela frente). Mas acho que eles estão mais para Damon Hill (ganhou uma vez só e olhe lá.).

***

A França teve grandes momentos nas Copas (como em 1958, terceira colocada com Just Fontaine, ou nos anos 80, com a geração de Platini e Giresse). Mas nunca ganhava o titulo. Também teve alguns episódios lamentáveis (como cair na primeira fase em 2002 e 2010 ou levar o uniforme errado para o jogo em 1978.) E seguia sem ganhar.

Até que em 1998, liderada por Zidane, finalmente foi campeã. No fim, uma lavada em cima dos brasileiros: 3 a 0.

Nigel Mansell teve grandes momentos na Fórmula 1 (foi três vezes vice-campeão mundial nos anos 80). Mas nunca ganhava o titulo. Também teve alguns episódios lamentáveis (como bater a cabeça em uma ponte após uma vitória enquanto dava tchauzinho para a torcida ou deixar o carro morrer na última volta enquanto… dava tchauzinho para a torcida). E seguia sem ganhar.

Até que em 1992, no supercarro da Williams, finalmente foi campeão. No fim, uma lavada em cima de um brasileiro (Ayrton Senna): 108 pontos a 50.

França ————————> Mansell.

Argentina, Itália, França e Uruguai?

***

A Espanha é atual campeã do mundo de futebol. Tem jogado bonito. Tem vencido com autoridade. Tudo igual ao bicampeão Sebastian Vettel. Mas se a Fúria espanhola for mesmo o moleque da equipe do touro vermelho, aí ferrou. Isso quer dizer que a Espanha vai ganhar as 5 próximas Copas…

***

Droga, faltou a Alemanha. Quem poderia ser?

Jackie Stewart, tão tricampeão quanto? Émerson Fittipaldi, um especialista em se aproveitar do erros e dos infortúnios dos adversários, como sempre foi a pragmática seleção alemã?

Ou Jack Brabham? Ele também foi três vezes campeão, uma delas na raça: em 1959, a 500 metros da chegada da última corrida, seu carro ficou sem gasolina. O piloto australiano pulou do carro e se botou a empurrá-lo, chegando em quarto.

(Tá certo que nem precisava tanto suor: seu adversário pelo campeonato, Tony Brooks, precisava ganhar a corrida para ser campeão. E foi só o terceiro. Mas beleza, a história é boa.)

Brabham: valente feito um volante alemão (hã?).

Já sei: o também tricampeão Niki Lauda! Calculista a ponto de ser chamado de “O Computador”, seria ele o equivalente em quatro rodas do “futebol-força” alemão?

Ah, sei lá. Talvez a seleção alemã seja mais afeita a carrinhos do que a carrões.

***

Poderia continuar a brincadeira com os países que não foram campeões do mundo. A Holanda seria Gilles Villeneuve. Tanto uma como o outro encantaram fãs do esporte com exibições fantásticas. Até hoje os torcedores babam pela revolucionária seleção laranja de 1974 e pelas manobras malucas do canadense ao volante da Ferrari. Mas nem o pai do Jacques nem o time de Cruyff nunca tiveram o prazer de soltar o grito de campeão.

Quem mais? O Japão? Moleza: Satoru Nakajima. El Salvador, que levou a maior goleada das Copas? Yuji Ide. E Camarões? E a Suécia? A Tchecoslováquia?

Chega. Melhor parar por aqui. Não porque eu tenha noção do ridículo. Mas porque, ao contrario da Copa, a temporada de F-1 já vai começar.

Eba.

Favoritos para a Copa de 2014

O fim da Copa de 2010 foi também derradeiro capítulo da história de muitos craques nos mundiais. Henry, Gerrard, Cannavaro, Verón e  Forlán provavelmente fizeram suas últimas participações em uma Copa do Mundo. O momento é de renovar as seleções, a começar pelo time brasileiro.

Neymar: cara nova na seleção

No primeiro teste pós-Copa e com a equipe reformulada, o Brasil fez bonito nos 2 a 0 sobre os EUA. Time leve e solto, alegre e eficiente, encheu os olhos do brasileiros e deu a sensação de que dias melhores virão. Neymar, Ganso, Pato e todos os outros convocados mostraram talento e desenvoltura em campo. Resta saber se em 2014 já terão rodagem suficiente para encarar o mundial sem tremer diante da enorme pressão de jogar em casa. O primeiro teste será na Copa América da Argentina, em 2011.

Falando nos hermanos, a seleção albiceleste estreou o técnico Sérgio Batista – dizem, interino – e venceu a Irlanda por 1 a 0. Maradona já havia renovado boa parte da seleção, o que pode facilitar o entrosamento até as eliminatórias da Copa. Outro ponto positivo é a experiência que os jovens como Messi e Tévez adquiriram no mundial da África do Sul.

O próximo amistoso da Argentina será contra a campeã Espanha, que empatou com o México na primeira partida após o título. É verdade que os espanhóis não atuaram com força máxima.

Já a Alemanha encarou a Dinamarca e empatou por 2 a 2. A seleção jovem formada em 2010 ganha experiência e pode render frutos em terras brasileiras.

A Holanda, vice-campeã do mundo, também renovou o time e empatou com a Ucrânia: 1 a 1. Assim como o Brasil, o time laranja tornou-se uma incógnita para apostadores no próximo mundial.

Na Inglaterra, Gerrard  ainda dá sinais de vida e ajudou o time a vencer a Hungria, com direito a golaço no estádio de Wembley. A questão é: Capello vai iniciar já o rejuvenescimento do  time ou vai esperar até o fim da Euro 2012?

Maiores vexames da última Copa, Itália e França continuam decepcionando seus fãs: a reformulada mas ainda envelhecida Azurra perdeu da Costa do Marfim por 1 a 0; em crise pós-Copa, les Bleus perderam para a Noruega por 2 a 1. A seleção veteraníssima do Uruguai fez melhor e venceu Angola por 2 a 0. É possível acreditar que esses times chegarão à próxima Copa com chances reais de título?

A largada para a Copa do Mundo no Brasil foi dada. Espanha e Alemanha aparecem na frente com bons times montados e cheios de moral. As seleções brasileira e argentina prometem se renovar  com qualidade e também entram nas bolsas de apostas como favoritas.

Imprensa internacional enche a bola do novo Brasil

Itália, França, Inglaterra e também Uruguai precisam arrumar a casa para não penar nas eliminatórias diante de seleções cheias de sangue-novo. Tudo isso soa a pura especulação, admito. Mas é o máximo que podemos fazer até chegar o mundial de 2014.

Postado por Flávio Tamashiro

No lucro

Chico, é você?

Para nós, torcedores brasileiros, vai ser lindo. A Copa de 2014 será no nosso quintal — aliás, se você mora em São Paulo e tem um quintal maiorzinho, avise a FIFA e a CBF: elas ainda estão procurando um lugar para abrigar os jogos na capital paulista… Tsc, tsc, tsc.

Agora, para nós, cidadãos brasileiros… É bom não esperar grandes benesses. Nem estou falando de eventuais desvios, superfaturamentos, estouros de orçamento e outras modalidades de roubalheira do nosso dinheiro. É que, ao contrário do que cartolas e governantes sempre juraram, uma Copa do Mundo talvez nunca consiga dar lucros a quem a sedia.

preju.

A tese é de Simon Kuper e Stefan Szymanski, autores do livro “Soccernomics”, obra que cruza dados, cifras e estatísticas para enxergar de maneira mais esperta o mundo do futebol — lembrou de “Freakonomics”? Na mosca.

O subtítulo é curtinho, não?

Sempre se espera que uma Copa (ou uma Olimpíada) traga melhorias na infraestrutura do país-sede, no seu sistema de transportes, na rede hoteleira, nos índices de emprego, no número de turistas, na imagem perante o mundo. Há ainda a lembrança de Barcelona, que aproveitou a Olimpíada de 1992 para recuperar partes decadentes da cidade e subir no ranking dos maiores destinos turísticos do mundo.

Só que os dois jornalistas fizeram as contas e concluíram que os gastos exigidos pela FIFA (ou pelo COI) são tão gigantescos que o país sempre sai perdendo.

O roteiro se repete: os cartolas querem do pobre país-sede (no nosso caso, pobre mesmo) isenções de impostos, obras viárias gigantescas, uma grande quantidade de vagas em hotéis de luxo, novos aeroportos e, claro, novos estádios, mesmo quando há no local outros em condições de sediar os jogos (alguém aí falou “Morumbi”?).

Tudo isso é muito, muito caro. E, no fim, acaba saindo ainda mais caro: orçamentos iniciais ingênuos ou mal-intencionados normalmente estouram — graças a atrasos, imprevistos, regimes de urgência urgentíssima ou simplesmente quando entram em contato com a realidade.

Assim, a grana que entra não cobre a que sai. Sem contar que o número de turistas muitas vezes é superestimado, os empregos gerados pelo evento são, em sua maioria, temporários e muitas das caríssimas obras viram elefantes brancos. Mais: há quem diga que Barcelona iria se reerguer de qualquer jeito, com ou sem Olimpíada…

Desastre total? Calma, também não é assim. Abrigar uma Copa também tem seus pontos positivos. Entre eles, o impacto que uma competição mundial provoca na auto-estima dos habitantes que a recebem. E também a propaganda planetária que ela faz do país.

Um comercial de 30 dias de duração.” Foi assim que uma dirigente de uma província sul-africana encarou a Copa 2010 quando percebeu que os benefícios econômicos diretos esperados pelo país simplesmente não chegariam. Para os sul-africanos, o jeito será tentar tirar o prejuízo a longo prazo, com os turistas que chegarão no futuro, incentivados pelo que viram na TV no último mês.

A Copa da África do Sul ficou no vermelho nas finanças. E nos campos?

***

É consenso que a seleção brasileira ficou devendo. Mas, para mim, a Copa de 2010 como um todo deixou os apreciadores do futebol no lucro.

E sei que essa opinião não é nenhum consenso.

(Do UOL) Insira aqui sua piada com "futebol-arte"e "arte marcial".

“Que Copinha, hein?” foi uma das frases que mais ouvi no último mês, só atrás de “Ah, Larissa Riquelme…”. Até o Rojas, meu nobre colega aqui no Copawriters, afirmou que a Copa foi morna.

Desculpe, galera, desculpe, Rojas. Mas eu gostei desta Copa. Bastante, aliás. Sim, eu sei que a média de gols foi baixa. Que teve 1 a 0 pra todo lado, que a Espanha não chutava pro gol, que raiva que dava! Sei que os craques chegaram baleados à Copa, que com 32 países a Copa tem muito time ruim.

Mas é que eu meço uma Copa do Mundo de outra forma: pela taquicardia que ela provoca; pelos jogos eletrizantes que ela proporciona.

Nem vou lembrar das Copas no México, em 70 e 86, com tantos jogos inesquecíveis que muita gente séria chegou a propor que todo Mundial deveria ser realizado em solo mexicano… Não, seria covardia. Lembremos de 1994, no EUA. Aquela Copa foi grande, entre muitas outras razões, pelos grandes jogos que ali ocorreram. Sem nenhum esforço, vem à cabeça Brasil x Holanda, Romênia x Argentina, Suécia x Romênia, Itália x Nigéria, Itália x Bulgária… até Arábia Saudita x Bélgica foi legal.

Por outro lado, 2006 foi modorrenta pela falta de futebol e também pela falta de suor no sovaco do torcedor. Jogaço mesmo, só um: a semi entre Itália e Alemanha:

Reconheço que muitos jogos de 2010 tiveram nível mais baixo que as coletivas do Dunga. Mas mesmo algumas peladas fizeram o mais contido dos torcedores se exaltar.

Por exemplo, EUA x Argélia, com o gol da classificação americana no último minuto e uma explosão da torcida ianque como nunca se viu:

Espanha x Paraguai também poderia ter sido na Rua Javari, mas a seqüência de pênaltis perdidos e o gol chorado da Espanha fizeram a adrenalina (naftalina, segundo o Jardel) bater no teto.

Os minutos finais de Itália x Eslováquia foram de arrepiar. Naqueles parcos momentos, os italianos resolveram jogar tudo que não tinham jogado em, sei lá, 4 anos. Levavam de 2 a 0, chegaram a descontar, mas levaram outro gol e, mesmo com a pressão e mais um gol nos acréscimos, acabaram dando arrivederci ao penta. 3 x 2 Eslováquia:

E essas foram as peladas. Não podemos esquecer também dos cinco jogos realmente bons da Copa, já listados pelo Flavio: Alemanha x Inglaterra, Alemanha x Argentina, Holanda x Uruguai, Alemanha x Uruguai e, claro, Uruguai x Gana.

Neste último, vimos uma sucessão de eventos que já virou um dos momentos mais catárticos da história das Copas:

A cabeçada ganesa no último minuto da prorrogação, a defesa de Suárez na linha, a lembrança de que, ei, o Suarez é centroavante, não goleiro!, o pênalti marcado e a expulsão de Suárez, a cobrança do penal já nos acréscimos, enquanto Suarez marchava desolado para o vestiário, a chute de Gyan, o craque de Gana, na trave, o choro de Suárez transformado em êxtase, o beijo na trave do goleiro Muslera, o apito final, a decisão por pênaltis, a cavadinha de Loco Abreu, a volta do Urugual às semifinais depois de 40 anos.

Amém.

Daria um livro.

Uma Copa que proporciona cenas como essas não pode ser fraca, morna, Copinha.

Copona, galera.

***

Espera aí. Não falamos aqui que o Copawriters existiria apenas durante a “Época de Copa”, que vai da hora em que o Brasil se classifica para o Mundial até “os garis varrerem os papéis picados da comemoração do último jogo”?

Pois é, as ruas já estão limpas. “Vuvuzela” e “Jabulani” são termos fadados ao desuso. O polvo Paul e a Larissa Riquelme contam os últimos segundos dos seus 15 minutos de fama (corre, Playboy). E o Copawriters continua aqui.

É que foi muito legal escrever nesse espaço. A Copa é o momento mais bacana do esporte que mais gostamos. O evento que gera a época mais legal que existe acumula um estoque quase infinito de lembranças pessoais, histórias e imagens fantásticas.

Daria para a gente continuar escrevendo sobre isso para sempre… Que seja assim, então.

Ei, e tem outra: o Brasil, claro, está classificado para a próxima Copa. Logo, tecnicamente, já começou outra Época de Copa. Logo, o Copawriters continua na ativa.

As atualizações talvez não sejam tão frequentes. Mas estaremos sempre por aqui, desenterrando histórias esquecidas e inesquecíveis das Copas passadas e contando os minutos para a próxima.

Copawriters, agora em definitivo.

Postado por: Marcos Abrucio

A mensagem é o meio

Escrevo antes da final da Copa. E antes que o assunto seleção brasileira murche de vez, aqui vai uma última e breve divagação.

As reações apaixonadas aos posts contra e a favor de Dunga (de Antonio Nogueira e de Antero Neto) que propositalmente confrontamos aqui chamaram minha atenção para dois pontos, um ligado ao outro.

O primeiro é que cada texto (e seus respectivos apoiadores) se associa a uma maneira oposta de ver o futebol.

Uma visão é a de que o futebol é berço da arte, do prazer, da alegria. Para os defensores deste lado, mais importante que ganhar é encantar. E a melhor maneira de entrar para a história é jogando bonito.

Quem está deste lado provavelmente condenou o futebol pregado pelo (agora ex) treinador da seleção.

Uma visão antagônica a essa lembra que o futebol, antes de ser um espetáculo, é um esporte. E no esporte, busca-se a vitória, ora essa. Beleza? Arte? Nada: o resultado é mais importante. Como na guerra, quem entra para os livros é quem ganha.

Quem concorda com isso deve estar entre os que apoiaram o texto que livra a cara de Dunga.

Mas outra coisa chamou a minha atenção:

As seleções brasileiras das duas últimas Copas foram talhadas para agradar em cheio os defensores de cada uma dessas posições — a de 2006 era a que jogaria bonito; a de 2010, traria a vitória a qualquer custo. Só que essas seleções acabaram decepcionando até quem concordava com a visão que elas representavam.

Explico: a seleção de 2006, com seu quadrado mágico, com atletas que foram eleitos os melhores do mundo e tocavam a bola de pé em pé embalados pelo mantra “joga bonito”, deveria encantar quem apóia um futebol mais, digamos, artístico.

Só que ela acabou desapontando os defensores da poesia no futebol ao desfilar na maior parte do tempo uma performance apática, desinteressada, sem inspiração. Fosse um espetáculo, levaria tomates.

Já 2010 seria a forra de quem sempre viu no grupo anterior um bando de mercenários sem gana. Agora teríamos um técnico enérgico, que faria de tudo pelo resultado e comandaria um grupo de guerreiros, de “comprometidos” com a seleção brasileira.

Mas a guerreira e comprometida seleção de 2010 fraquejou ante à Holanda. Perdeu todo o prumo após dois gols bestas. As pernas tremeram e ninguém conseguiu fazer nada para conseguir o resultado — aquele que justificaria tudo, lembra?

As duas visões extremas sobre o futebol falharam. Então pergunto: por que não o caminho do meio?

Como em 2002, quando Felipão botou ordem na casa depois da mais acidentada campanha que o Brasil já teve nas eliminatórias.

Ele fortaleceu a defesa, botou três zagueiros e fechou os ouvidos para os pedidos por um envelhecido Romário. Mas apostou nos craques. Botou Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo para decidirem a Copa. Decidiram.

O meio, gente. Como em… 1970.

Isso mesmo, a mais brilhante seleção de todos os tempos, a que mais deu espetáculo e mais abasteceu o You Tube com lances superlativos era sim, “comprometida”.

A começar pelo começo: a delegação foi a primeira a chegar no México, para se aclimatar à altitude. A preparação foi tão perfeita que em todos os jogos a seleção sobrava no segundo tempo.

Ela tinha também muita obediência tática. Tostão sempre lembra que, quando não tinha a bola, aquele time voltava todo para marcar a saída do adversário. Solto, só ficava Pelé.

Pelé, aliás, é outro exemplo de seriedade daquele grupo. Ele já era a maior estrela do futebol mundial há uma década. Mas botou na cabeça que faria de tudo para ganhar e arrebentar na sua última Copa. Ganhou e arrebentou.

Perceba, pelos exemplos, que o meio não é sinônimo de medíocre. Pelo contrário. Evitar os extremos pode ser o caminho para ser brilhante.

Pois é. No futebol, nem sempre o melhor é jogar pelas pontas.

***

Agora escrevo logo após a final da Copa. E deu Espanha.

O time com os jogadores mais habilidosos, que nunca maltratou a bola e que ganhou tudo desde as categorias de base superou merecidamente um time pragmático e que bateu muito, na Copa toda e em especial na final.

O futebol bonito venceu o futebol de resultados?

Calma, nada é tão simples. O time do futebol-arte foi o campeão com o menor númerode gols na história das Copas. E, embora tocasse lindamente a bola, muitas vezes não tinha objetividade alguma.

E o time que não se importava com o espetáculo havia vencido todos os seus jogos desde as eliminatórias, tinha feito doze gols na Copa e contava com dois grandes jogadores, Robben e Sneijder.

Como a vida, o futebol é complicado. E, em ambos, convém não ser nem tanto lá, nem tanto cá.

(* amanhã, mais sobre a final da Copa.)

Postado por: Marcos Abrucio

Seco, não nego. E secarei enquanto puder.

Queridos amigos, que time e seleção são coisas diferentes todo mundo sabe. O que eu sei é que futebol é futebol e, durante a Copa do Mundo, meu time vira oficialmente a Seleção Brasileira (e esse “oficialmente” faz total diferença).

Afinal, quando a Seleção vai até o Emirates Stadium enfrentar a Irlanda em um reles amistoso, eu obviamente assisto e torço – mas confesso estar muito mais preocupado com o jogo do meu Palmeiras no final de semana.

Agora, durante a Copa não… durante a Copa, o verde ganha a companhia do amarelo e eu viro brasileiro com muito orgulho e com muito amor (não, eu não chego a entoar esta canção).

Esse sou eu durante Brasil 3x0 Chile

Isso inclui ler todas as notícias, ver e rever todos os jogos, palpitar sobre a escalação e as opções de banco, falar da roupa do Dunga e, claro, secar os rivais. Seco mesmo. Pra mim, em Copa do Mundo, a Argentina é o ‘Curintia’ e ponto final!

Assim que rolou a bola na África, eu torci avidamente contra cada uma de nossas grandes rivais. Comemorei feito criança as eliminações de França e Itália, fiquei triunfante após a derrota da Espanha na estréia, vibrei com Sérvia 1×0 Alemanha e toquei até vuvuzela para apoiar Coréia do Sul, Grécia e Nigéria.

Vida de torcedor é assim. E o legal de ser torcedor é que você pode ser irracional. Não precisa medir palavras ou reações. Porque pouco importa o que você apostou no bolão: se a Argélia mete gol na Inglaterra, é mágica pura. (ou você preferia mesmo ter que enfrentar a Holanda ao invés de pegar Camarões ou Dinamarca na quartas?)

Eu preferia Bendtner ao invés de Sneijder.

Não estou negando que existam pessoas que realmente gostem desse papo de ver só ‘clássicos’ durante a Copa. Eu também gosto e eles são inevitáveis, graças a Deus. Mas, como torcedor brasileiro, eu prefiro muito mais enfrentar timecos do que timaços. Eu quero o hexa, o hepta, o octa. Mas, se eu não conseguir, que “eles” também não consigam.

Por isso, quando Müller desviou uma bola vinda da esquerda logo aos 3 minutos de jogo na última manhã de sábado, eu confesso ter comemorado demais. O gol foi nosso. Foi verde e amarelo. Foi do Brasil! E você pode ficar puto com isso.

Esse sou eu durante Alemanha 4x0 Argentina.

Só que seco, não nego, e secarei enquanto puder.

Postado por: Henrique Rojas.

A seleção de 3976

A Copa avança com duas quartas de final que mereciam ser semifinais (Brasil x Holanda e Alemanha x Argentina, os quatro melhores times até agora) e duas que deviam, no máximo, ser oitavas (Uruguai x Gana e Espanha x Paraguai).

BRA x HOL e ARG x ALE: jogos que acontecem cedo demais.

A seleção brasileira segue exatamente do jeito que se imaginava: eficiente, forte na defesa, letal no contra-ataque, sem um bom reserva para Kaká e sem jogar um futebol lá muito vistoso.

Foi assim que ela triunfou na Copa América, na Copa das Confederações e nas Eliminatórias. E vai ser assim até o fim — tomara que no dia 11.

Nessas horas em que o (bom ou mau) futebol da seleção é debatido em cada palmo do território brasileiro, sempre se evoca um velho embate: o futebol-arte x o futebol-força (ou de resultados).

Ou, como este confronto é normalmente apresentado: a seleção de 82 x a de 94.

Poesia ou prosa?

A VIP de junho montou um quadro comparativo que repete pela enésima vez a pergunta: qual das duas seleções foi melhor? Após um belo rebolation matemático (deram -10 num quesito…) chegou-se a um empate.

Muitos jornalistas e boleiros insistem em dividir o mundo entre os defensores do time de Sócrates e o de Dunga. Mas a oposição entre esses dois times é, na verdade, uma grande bobagem.

Primeiro, porque não é preciso defender um OU outro. Eu gosto dos dois, pronto.  Como uma mãe que ama seus filhos com a mesma intensidade, não importa se um virou um grande médico e o outro, juiz de futebol, os brasileiros têm as duas seleções no fundo do peito.

Outra: o time “eficaz” de 94 fez muita coisa bonita, especialmente graças ao talento de Romário. E o time “artista” de 82 foi capaz de marcar perfeitamente Diego Maradona, no jogo da segunda fase contra a Argentina.

Por isso, muito mais divertido do que imaginar 1982 x 1994 é pensar em 1982 + 1994.

Uma seleção que somasse os pontos fortes de cada uma seria incrível. Um time obediente, aplicado e mortal como o do tetra. E brilhante, leve e apaixonante como o do quase-tetra.

Mas como ficaria o time titular?

***

No gol, não há dúvidas. Valdir Peres teve uma grande história no São Paulo, mas nunca foi unanimidade na seleção. E por conta daquela falha contra a URSS, eu cresci achando que seu nome era sinônimo de frangueiro. Se um moleque da rua levava um gol por entre as pernas, eu já gritava: “Aê, Valdir Peres!”.

Já Taffarel mora na nossa memória afetiva desde 1988, quando defendeu (muito) a seleção olímpica, passando pela Copa de 1990, quando foi um dos poucos que se salvaram e, claro, pelos Mundiais de 1994 e 1998.

Sim, ele tinha sua criaçãozinha de perus. Tinha também muita dificuldade para sair do gol (o “sai que é sua, Taffarel!” era menos um bordão do que uma súplica do Galvão). Mas sua folha de bons serviços prestados à seleção é enorme.

Durante a campanha do tetra, ele jogou mal por apenas 5 minutos (o suficiente para a Holanda empatar nas quartas, mas tudo bem). De resto, foi perfeito.

E pegou pênalti em semi e em final de Copa do Mundo. Super-trunfo.

Nosso goleiro, portanto, é Taffarel. Desculpe, Taffareeeeeeeeeeeeel.

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Não se pode reclamar dos laterais dos dois times. A turma de 1994 era muito boa. Na direita, Jorginho, habilidoso, bom cruzador, autor de 50% do gol contra a Suécia:

Na final, sentiu uma contusão. Entrou Cafu, que também iria fazer história na seleção, mas nas Copas seguintes.

Na esquerda, Leonardo ia bem até perder a cabeça e quase arrancar a de um americano. Entrou Branco, que havia jogado muito em 86 e 90.

Na Copa dos EUA, no entanto, ele era muito contestado. Por um motivo. Ou melhor, dois: cada uma de suas nádegas, enormes, balofas, balouçantes. Vindo de contusão e já no fim da carreira, Branco estava gigante.

Mas o cara era bom, e tinha estrela (a quarta). Mesmo com toda a desconfiança, jogou bem os últimos três jogos da Copa. E fez aquele gol

Grandes laterais. Mas craques mesmo são os de 82. Os flamenguistas Leandro e Júnior tinham tanto talento que hoje seriam camisas 10 de qualquer time brasileiro (menos o Santos). Júnior, no fim da carreira, virou de fato um meia e foi campeão brasileiro de 92 jogando nessa posição.

Infelizmente na seleção os dois não conseguiram erguer a taça — coisa que cansaram de fazer no rubro-negro. O que não significa que não destruíam também de verde e amarelo. Principalmente naquela Copa.

E justamente por não fazer feio numa roda de bobinho com Zico, Sócrates e Falcão, Leandro e Júnior levam a 2 e a 6, respectivamente.

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Era para ser os Ricardos, Gomes e Rocha. Ou então o Mozer. Só que eles foram se machucando e ficando para trás. E, na última hora, no improviso, montou-se uma dupla de área improvável: Aldair e Márcio Santos.

Que foi a melhor zaga que eu vi jogar na seleção — até chegar Juan e Lúcio, mas esta é outra história.

Em 94, pela primeira vez na minha vida, eu não tinha palpitação quando o Brasil era atacado. A segurança e o entrosamento dos zagueiros era impressionante — ainda mais se lembrarmos que eles tinham jogado pouco tempo juntos.

Claro que o esquema fechado de Parreira e o ótimo desempenho defensivo dos volantes Mauro Silva (muitas vezes quase um terceiro zagueiro) e Dunga ajudaram muito. Mas a Copa da dupla de beques foi irretocável.

Sim, os zagueiros de 82 eram muito melhores tecnicamente. Oscar era ótimo. Os atleticanos amam Luizinho.

Mas, pô, levaram 3 gols do Paolo Rossi (das mais variadas formas) num jogo só. E estamos falando de Copas. Em 1994, Aldair e Marcio Santos ajudaram mais do que Oscar e Luizinho em 1982.

Eu sei, eu sei, uma pena. Aldair, Márcio Santos, pro campo.

Aldair e Marcio Santos

Eles mesmos, algum problema?

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Ah, o meio-campo de 82…

Pois é, nunca ouvi ninguém falar: “Ah, o meio-campo de 94…”. Era um quadrado de jogadores aplicados, mas sem grande refinamento: Mauro Silva, Dunga, Zinho e Mazinho.

Para dar mais brilho àquela árida região, Parreira havia tentado Luiz Henrique, Neto, Palhinha, Rivaldo e, por fim, Raí. Mas o craque são-paulino não fez uma boa Copa, e logo foi sacado — por Mazinho, um volante que subiu na vida.

Todos trocavam passes com correção, mas só quem dava grandes lançamentos e assistências era, por incrível que pareça, o capitão Dunga.

Enquanto isso, em 82… Raríssimas vezes na história se viu um meio de campo apenas com craques. Aquele time tinha: Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico, ídolos do povo de quatro estados diferentes.

Só craques.

E todos foram bem na Copa, com golaços, assistências, toques magistrais… A tentação é chamar o meio-campo inteiro daquela seleção. Mas espera aí…

O quarteto super-ofensivo não conseguiu bater a Itália naquele dia maledeto. E Cerezo, coitado, tornou-se personagem de um verbete da enciclopédia futebolística: “como não passar uma bola pelo meio da zaga”…

Então será que aquele meio-campo era assim tão perfeito? Será que não faltava justamente aquilo que sobrava no de 94, solidez defensiva?

Não sei. E enquanto meu lado utópico pendura pôsteres dos craques de 82, meu lado que quer o caneco me faz escolher pelo menos um homem de 94, justamente o que teve o melhor desempenho.

Meu meio-campo vai de Dunga, Falcão, Sócrates e Zico.

Dunga-94

Desculpe, Cerezo.

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Quando criança eu adorava as bombas do Éder. E sempre achei o Chulapa engraçado pra caramba. Os dois que me desculpem. Não dá para não escolher Romário e Bebeto.

Sem os dois, a seleção de 94 seria apenas um time razoável… da Alemanha. A dupla estava no auge, e compensaram a falta de técnica do meio-campo com um exagero de talento e faro de gol.

Em especial, Romário. Romário é rei. Pelo que disse que ia fazer e pelo que fez naquela Copa. Nem vou colocar aqui nenhum vídeo dele porque tudo que ele fez ainda está fresco na nossa memória.

Tá bom, eu coloco.

***

Botando na balança apenas o talento, deveríamos pegar a seleção toda de 82, mais o Taffarel e o Romário e pronto. Mas se pensarmos num time de verdade, que funcionasse na frente e atrás e, com isso, fosse capaz de ganhar, além de encantar, a escalação seria essa:

Taffarel; Leandro, Aldair, Márcio Santos e Júnior. Dunga, Falcão, Sócrates e Zico. Bebeto e Romário.

Podem jogar as pedras agora.  Ou, o que vai ser menos doloroso, mandar suas escalações de 82+94.

Aproveitem para pensar: que jogador de 2010 entraria nesse time? Tem vaga. Mas isso é assunto para outro dia. Daqui uns 15 anos.

Postado por: Marcos Abrucio