Minha Primeira Copa

A do Ronaldo foi a de 1994. Desde o ano anterior, ele já destruía no Cruzeiro. Mas tinha só 17 anos e, dizem, ficou assustado ao dividir a concentração com seus ídolos.

Romário o aloprava diariamente, imagina que inferno. Nos primeiros treinos físicos, deu tudo de si, como só os boleiros são capazes de dizer. Arrebentou seus ainda quase inexistentes músculos. Quando começaram os coletivos, estava pregado. Os repórteres perguntaram ao garoto se ele tinha lugar no time titular. Querendo aparentar humildade e também não se meter em problemas, disse que não, imagina, que é isso. Romário deu um esporro: “Diz que sim, pô! Agora que não vai jogar, mesmo…”. Ronaldo (na época, Ronaldinho) não saiu do banco a Copa inteira. Mas levantou a taça.

Em 94, coadjuvante do baixinho.

Em 94, coadjuvante do baixinho.

A primeira do Rei foi a de 1958. Começou meio baleado, voltando de contusão. Depois de esquentar o banco nos primeiros jogos, diz a lenda que os medalhões da seleção exigiram a presença dele e de outro “rookie”, Garrincha. Lenda ou não, os dois entraram e não saíram mais do time. Pelé também tinha 17 anos e também foi campeão. Mas com direito a chapéu e golaço na final.

Ih, cadê a bola? Tá lá dentro.

Ih, cadê? Tá lá dentro.

A minha primeira Copa do Mundo foi a de 86, no México. A primeira que eu lembro de ver, claro. Até então, achava que a Copa anterior tinha sido no Brasil e havíamos ganho. Por que contam tantas mentiras para as crianças?

Completei 7 anos durante o Mundial e não, não fui campeão. Mas lembro de muita coisa. Das ruas decoradas: a molecada fechava a via e pintava o asfalto ensandecidamente. Sorte das ruas onde moravam garotos com algum talento pra coisa. As outras viravam cenário de show da Carmem Miranda. Eu adorava aquilo tudo, e ainda me pergunto: por que não fazem mais isso? O Kassab não deixa?

Lembro também de descobrir que Copa tem cheiro e som próprios: o dos fogos e bombinhas estourados desde a manhã nos dias frios de junho. Lembro do Arakem, das bandeirinhas que vinham dentro do Nescau, da tabelinha que davam nos postos Shell.

Lembro principalmente dos jogos. Aquela Copa está inteira na minha cabeça — pra quem quiser, eu faço copias em VHS. A Dinamáquina estraçalhando o Uruguai para depois ser engolida pela Espanha — que por sua vez foi ceifada pela Bélgica, que fez o melhor jogo da Copa contra  URSS… Lineker na artilharia, Schumacher (o goleiro, não o queixudo) pegando pênaltis, Maradona brilhando. E o Brasil, hã, nem tanto.

Verde, amarelo, preto e branco.

Verde, amarelo, preto e branco.

Hoje é um pouco melancólico ver a geração de 82 envelhecida. Zico quebrado, Falcão no banco, Sócrates já não mais tão Magrão. Não havia mais a mágica, chuif. Por outro lado, tinha gente nova chegando, e bem. Como Branco e, principalmente, Careca.

Ironicamente, o único jogo que a seleção jogou realmente bem foi o contra a França. Aliás, que jogão: bolas lá e cá, muita correria, tensão, bolas na trave, pênalti perdido, prorrogação, mais pênaltis, bola nas costas do Carlos…

Reserve 7 minutos e 27 segundos para alguns desses momentos. É igual reprise do “Titanic”: a gente sabe que no final dá tudo errado, mas se emociona toda vez que vê.

Postado por: Marcos Abrucio

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2 Respostas para “Minha Primeira Copa

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