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“Vou torcer para o Brasil perder na semifinal!”

Postado por: Flávio Tamashiro

A frase acima foi dita em alto e bom som por uma torcedora brasileira a seu acompanhante na saída do Estádio Mané Garrincha após o jogo Brasil x Camarões. Tudo porque ela lembrou que só tinha ingressos para mais um jogo: a disputa do 3º lugar em Brasília. E antes mesmo da reação de indignação que tomaria seu acompanhante e os torcedores à sua volta, ela completou a pérola: “É, porque se for minha única chance de ver o Brasil jogar na Copa de novo, prefiro que a seleção dispute o 3º lugar!”

"Perder na semi? Tem dó!"

“Perder na semi? Tem dó!”

A reação dos torcedores foi de censura ainda que silenciosa: olhares de reprovação, risinhos de ironia, gente balançando negativamente a cabeça. Alguém comentou baixinho o quão egoísta era aquele pensamento. Muita gente concordou. “Como alguém pode pensar somente em si mesmo? E em plena Copa do Mundo!”, diria um amigo.

Mas pera aí? Pensar em si mesmos não é o que 99% dos torcedores fazem? E não vale falar da famosa torcida por solidariedade – “Ah, vou torcer pela França também porque meu avô é francês.”

"Eu sou mais eu!"

“Eu sou mais eu!”

Que eu saiba ninguém torce pelo Brasil pensando na felicidade do irmão, do amigo, do vizinho, do avô. Você pode até ter começado a torcer por influência de algum deles, é verdade. Mas com certeza hoje a pessoa que você mais quer ver feliz depois do jogo é você mesmo. E pode apostar que não é um fenômeno brasileiro: deve acontecer a mesma coisa com torcedores na Argentina, na Alemanha e… na Colômbia.

"Pelo amor dos meus filhinhos! Muda o time, Felipão!"

“Pelo amor dos meus filhinhos! Muda o time, Felipão!”

* * *

Nesta Copa, acompanhei dois amigos colombianos nas partidas da seleção deles em Brasília e Cuiabá. A torcida de nossos vizinhos é animada, festeira e fanática por futebol como nós. Na verdade, posso dizer que são mais animados do que nós no que diz respeito a torcer por sua seleção. Meu amigo Juan diz que os 16 anos dos “Cafeteros” longe das Copas é um dos motivos da invasão colombiana no Brasil em 2014.

Sou o colombiano da direita.

Sou o colombiano da direita.

A festa da torcida brasileira no confronto contra Camarões não chegou perto da algazarra provocada pelos colombianos nas partidas contra Costa do Marfim e Japão. Parabéns para eles. O futebol deles também enche mais os olhos do que o da nossa seleção. Ponto para eles novamente.

Febre Amarela nas arenas brasileiras

Febre Amarela nas arenas brasileiras

A vibração deles nas arquibancadas é contagiante. Não é à toa que se sentiram em casa em todas as partidas até agora. Eu mesmo me peguei vibrando com os gols de James e Quintero. Mas hoje a história muda de figura. O jogo é Brasil x Colômbia. Desculpem-me o egoísmo, amigos Juan e Andrés. Sei que sentirei falta da festa colombiana, mas após a partida eu espero poder comemorar mais do que vocês.

Vai, Brasil! P*rra!

Vai, Brasil! P*rra!

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44 anos depois, uma tarde no Azteca

Postado por: Henrique Rojas

41 minutos do segundo tempo. Tostão rouba uma bola na esquerda e recua para Piazza. Piazza toca para Clodoaldo que, cercado, toca para Pelé. Pelé para Gérson, Gérson para Clodoaldo, que deixa quatro zagueiros pra trás e passa para Rivellino. De Riva para Jairzinho, deste novamente para Pelé e, em uma rolada de bola açucarada, Carlos Alberto manda um foguete no canto do goleiro Albertosi.

Deste gol todo mundo se lembra. Do resultado, então, ninguém vai conseguir se esquecer nunca: Brasil, primeiro tricampeão do mundo, 4, Itália, “só” bi, 1. Mas uma da slembranças mais incríveis diz respeito ao palco deste jogo, o Estádio Azteca.

Inaugurado em 1966 para abrigar jogos das Olimpíadas de 1968, o Azteca se consolidou mesmo em Copas do Mundo. Sediou as finais dos mundiais de 70 e 86 (quando a Colômbia teve que desistir de sediá-lo) e, desde então, o gigante com 105 mil lugares se tornou um ícone do esporte.

Eu, do alto dos meus 28 anos, não pude ver nenhum destes jogos nem in loco nem ao vivo pela TV. Mas, felizmente, 44 anos depois do gol que encantou o mundo, posso dizer que pisei no solo sagrado do Coloso de Santa Úrsula.

Eu, o Azteca e minha Corona

Eu, o Azteca e minha Corona

Foi no sábado passado, clássico local entre América e Pumas. O resultado final foi 3×1 para os visitantes universtarios, mas, sendo sincero, o placar importa pouco – ou quase nada – para quem foi lá pelo espetáculo.

A verdade é que o Estádio Azteca tem alma. E você a sente a quilômetros de distância, quando avista aquele gigante no horizonte, e se depara com os milhares de torcedores que cantam em direção a ele. Quando pisa lá dentro, então, é de arrepiar até os poucos fios de cabelo do Canhotinha de Ouro.

Festa dos 25 mil visitantes

Festa dos 25 mil visitantes

As rampas de acesso aos lugares chegam a três andares seguidos e suas cadeiras são bem mais apertadas do que manda o “Padrão Fifa”. As torcidas organizadas ficam separadas em cantos opostos, mas, no geral, todos assistem aos jogos misturados. A  lá Estados Unidos, a cerveja é liberada somente meia hora antes do jogo e existem brincadeiras tanto dentro de campo quanto nos telões – exatamente como na NBA.

Mas, como um todo, a atmosfera e o clima são latinos. E embora bastante reformado e modernizado em relação a sua estreia na década de 60, adentrar o Azteca é como se automaticamente aquele monte de cimento te contasse tantos anos de história em alto e bom som.

Mesmo que seja só por 90 minutos. Mesmo em um jogo pelo Campeonato Mexicano. Imagina na Copa!

O gigante 2h antes da partida

O gigante 2h antes da partida