Copawriter de Fora II: A Copa e Eu, por Rico Lins

A seção do Copawriters que publica textos de convidados ganha nova contribuição. Hoje, a palavra está com o redator Rico Lins, 28 anos, natural de Recife. O cara trouxe para São Paulo a paixão pelo futebol e pelo Sport. Sua história com Copas ainda não rendeu um livro, mas já rendeu essa crônica:

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A Copa e Eu

A Copa de 2010 será a minha 8ª Copa do Mundo. Mas só na teoria. Na prática, será a 6ª vez que eu acompanharei o mundial.

Eu nasci em 81. Logo, não faço a menor idéia do que aconteceu em 82. Não vi o Brasil de Valdir Peres, Leandro, Oscar, Luizinho e Júnior; Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico; Serginho e Éder, liderados pelo Mestre Telê. Nem vi a Itália conquistar o “tri” ao bater a Alemanha, até então Ocidental, por 3 a 1, com gols de Rossi, Tardelli e Altobelli.

Seleção de 82.

Da Copa de 86, eu tenho apenas alguns flashes. Não dos jogos disputados no México, mas de estar presente enquanto todo mundo se reunia na frente da TV. A real é que a maior lembrança que trago de 86 não é da derrota do Brasil para a França, nem da chuteira de ouro entregue a Gary Lineker, muito menos do título dos argentinos. A Copa de 86 me marcou pelos fogos. Isso mesmo. Fogos de artifício que, para um moleque de 4 anos, pareciam bombas em plena guerra.

O craque inglês Gary Lineker.

A partir da Copa de 90, tudo bem. Posso falar de igual para igual. Lembro exatamente do local onde eu estava quando o Maradona enfiou a bola para o Caniggia que bateu na saída do Taffarel e eliminou a canarinha logo nas oitavas-de-final. Ah, Lazaroni.

Em 94, as esperanças estavam todas depositadas no baixinho que, junto com o Bebeto, fizeram, na minha humilde opinião, a última grande dupla de ataque da seleção brasileira.

Bebeto, 1 a 0 contra a Holanda, na semifinal de 94.

A Copa dos Estados Unidos teve suas cenas inesquecíveis: o “eu te amo” do Bebeto após o gol contra os donos da casa; a falta cobrada pelo Branco, a esquiva “Matrix” do Romário e o gol “nana nenê” contra a Holanda; a bola levantada na área com açúcar pelo Jorginho naquele gol contra a Suécia e, finalmente, o beijo do Pagliuca na trave minutos antes do Roberto Baggio perder o pênalti e o Galvão gritar, abraçado com o Pelé, “Acabou! Acabou! É tetra! É tetra! O Brasil é tetra campeão mundial de futebol!”

Quatro anos depois, veio a Copa da convulsão. Aquela final contra a França, em 98, não merece lembranças. Nem mais do que um parágrafo.

França campeã em 98.

Em 2002, voltamos ao mundial vacinados e com o Felipão no comando da equipe. O comandante não agradava a todos, mas, pelo menos, ninguém mais precisava engolir o Zagalo.

Os adversários que surgiram, caíram diante de Marcos, Lúcio, Roque Júnior e Edmilson; Roberto Carlos, Gilberto Silva, Kléberson e Cafu; Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo – que engoliu a bola – e Ronaldo.

Foi assim com Turquia, China e Costa Rica, na primeira fase. Com a Bélgica, nas oitavas. Com a Inglaterra nas quartas (parênteses para o gol mágico do Ronaldinho Gaúcho e do desabafo na comemoração: “eu sou foda.”).

Com a Turquia, pela segunda vez, na semifinal, uma partida que ficou marcada pelos quatro jogadores turcos correndo atrás do Denílson.

Já dava pra sentir o cheirinho do “penta”. E quando o Ronaldo entrou em campo com o “corte cascão”, aí sim, o cheiro se tornou indiscutível. Afinal de contas, um cara que corta o cabelo daquele jeito antes de jogar uma final de Copa do Mundo tinha que fazer algo decente para compensar. E ele fez. 2 vezes Ronaldo e o Brasil se tornou pentacampeão mundial de futebol. 100% de aproveitamento. 100% Jardim Irene.

Brasil pentacampeão em 2002.

Veio, então, a Copa de 2006 e com ela o tão esperado “Quadrado Mágico” formado por Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Ronaldo. Não tinha como perder. O “hexa” era um sonho próximo. E num torneio onde quem estava logo atrás era apenas “tri”, se tornar “hexa” seria humilhar o resto do mundo.

Mas no meio do caminho havia uma França, havia uma França no meio do caminho.

Até hoje culpam o meião do Roberto Carlos, mas acho que não foi culpa dele. Caímos ainda nas quartas-de-final. O Quarteto Mágico foi derrotado pela dupla de arquiinimigos: Zinedine Zidane e Thierry Henry. Triste fim para os nossos super-heróis e para a esperança de milhões de brasileiros.

Mas como disse o sábio Fernando Vanucci, “a África é logo ali”. 2010 chegou e o sonho do “hexa” está de volta. A humilhação não vai ser mais tão grande, já que a Itália levou a Copa de 2006 e virou “tetra” – fato: sem a comemoração do Galvão com o Pelé – mas a alegria será a mesma.

A poucos dias da Copa da África do Sul, as atenções começam a se voltar mais uma vez para a nossa seleção. Vamos todos juntos, com Kaká, Robinho e Luis Fabiano. E podem vir os fogos, os “Caniggias”, os franceses, os meiões e tudo mais.

Que os nossos heróis, dessa vez, não sejam tão fantasiosos e que voltemos a jogar o nosso bom e velho futebol. Depois de Bellini, Mauro, Carlos Alberto Torres, Dunga e Cafu, chegou a hora do Lúcio levantar a taça, a gente ter mais um dia de feriado e mais uma Copa para lembrar. Vamos, Brasil!

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3 Respostas para “Copawriter de Fora II: A Copa e Eu, por Rico Lins

  1. veronica rodrigues

    É isso ai Rico, temos que voltar a jogaro nosso velho futebol para trazermos o CANECO.
    VAMOS LÁ BRASILLLLLLLLLLL

  2. Belo texto de estreia, meu amigo. Primeiro de muitos, eu espero. E que a Copa de 2010 seja muito melhor do que a de 2006. Essa última foi uma lástima do começo ao fim…

  3. Pingback: Copawriter de Fora III: A Argentina de 2010 é o Brasil de 1994, por Caio Cassoli « Copawriters

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