Chutou, é fogo, é gol – I

Postado por: Marcos Abrucio

Mestre Fiori

“Abrem-se as cortinas e começa uma nova seção no Copawriters, torcida brasileira!”

Acho bonito o egoísmo sincero de uma criança.
 
Em algum momento do Brasileirão de 90, por exemplo, passei a rezar todas as noites para o Corinthians ser campeão. Danem-se a paz mundial, a fome na Etiópia e mais ainda os milhões de torcedores dos outros times. Deus tinha é que cuidar daquele título, inédito para mim e para o clube.
 
Talvez a interferência divina fosse mesmo necessária, já que o time entrava em campo com Guinei, Jacenir e Mauro (apelidado gentilmente pelas arquibancadas como “Doença”). Por outro lado, tinha Neto.
 
Gordo, lento, metido e encrenqueiro. E, mesmo assim, levava o time na costas (ou na pança?). Decidia todos os jogos, não só com os gols de falta, mas também com a bola rolando e, acredite, até de cabeça, em uma afronta clara à Isaac Newton. Não nos esqueçamos dos lançamentos longos e precisos, que lembravam muito um outro camisa 10 corintiano e das comemorações explosivas, ora trepando no alambrado, ora deslizando de joelhos no gramado.
 
Neto era um pequeno milagre futebolístico. A prova de que o esporte era generoso o suficiente para permitir que qualquer jogador se tornasse um ídolo, não importa o o que a balança dissesse.
The original "Eu sou f..."

The original “Eu sou f…”

Com a ajuda dos céus e do pé esquerdo daquele cara, meu time foi avançando. Conquistou a última vaga para a fase final — ah, tempos gloriosos de regulamentos malucos que misturavam pontos corridos com mata-mata… — e foi passando por times mais fortes até derrotar o São Paulo de Telê na final.

Mas, para mim, o gol mais marcante daquela campanha foi marcado no primeiro jogo das quartas-de-final. Sábado à noite (não me pergunte por quê), Pacaembu lotado. O Corinthians perdia do Atlético Mineiro até Neto olhar para o banco e perceber que iria ser substituído. Possesso, resolveu virar o jogo. Um gol de cabeça (não disse?) e outro depois de um bate-rebate na área.

Naquela época, nem todo jogo passava na TV, não. Ouvi este e milhões de outras partidas no rádio, preferencialmente na voz do maior de todos os craques da narração esportiva: Fiori Gigliotti. E não é que achei o gol da virada, que tanto me fez pular em casa, narrado por ele?

Meu eterno agradecimento à Rede Mundial dos Computadores.

***

Mais uma seção estreia no Copawriters. Aqui, postaremos alguns dos gols mais merecidamente esgoelados da história do futebol mundial – de preferência, com as respectivas narrações.  Seu nome, “Chutou, é fogo, é gol”, é uma singela homenagem a Fiori Gigliotti, o moço de Barra Bonita.

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