O herege

Sim, eu sou. Ou vou ser, depois do que vou escrever agora. Prepare-se. Não é para estômagos fracos:

Se o Messi continuar jogando desse jeito e fizer a Argentina ser campeã, eu não vou ficar triste, não.

Pronto, já posso ir para a fogueira. Mas calma, antes de acender o fósforo, espera só um pouquinho.

Em primeiro lugar, não quero que isso aconteça. Opa, nada disso. A despeito de qualquer objeção que eu possa ter ao time de Dunga, vou, como sempre, torcer muito pelo Brasil. Aliás, só consigo torcer pelo meu time e pela seleção.

Mas tem uma coisa: não dá para ignorar os gênios do esporte. E Messi, ao que parece, está assinando a súmula para entrar nesse time.

Veja o que o cara fez na última semana. Em três jogos pelo Barcelona, ele fez oito gols. Perdão, golaços:

Lionel Messi é novo, tem só 22 anos. E está jogando melhor a cada dia: faz gols de todos os jeitos, dá assistências precisas, dribla como poucos, desmonta retrancas, é decisivo. Num dia é ponta-direita, noutro ponta-esquerda, ponta-de-lança, centroavante… Na atual fase, se ele virar goleiro, pega pênalti.

O baixote adentrou aquele nível em que não dá para torcer contra, só aplaudir. Resta saber quanto tempo ele vai ficar lá em cima. Tostão lembrou bem: Ronaldinho Gaúcho, por dois anos, esteve num ponto em que Zidane e Zico jamais chegaram. Mas depois caiu. Assim, na média, os dois Zs foram melhores.

Pela sua qualidade e juventude e por estar na ascendente, Messi parece que vai ser dos que duram. É desde já um candidato natural a Schumacher, a Phelps, a Federer, a Maradona. A Pelé? Ah, passa amanhã.

O cara é o cara.

Mas duas coisas ainda nos impedem de vaticinar a consagração de Messi no Mundial. Primeiro: com a camisa da seleção, ele nunca jogou um décimo do que joga no Camp Nou. Tudo bem, mais cedo ou mais tarde, ele vai desencantar (tomara que não contra a gente). O problema é outro: não dá, jamais, para saber com antecedência quem vai ser o craque da Copa.

Aos exemplos: em 1982, Paolo Rossi vinha de dois anos de suspensão por ter participado de um esquema de manipulação de resultados. E foi o craque da Copa, porca miséria. Em 2002, parecia que só o Felipão acreditava em Ronaldo e seus joelhos moídos. E Ronaldo foi o cara. Em 2006, Ronaldinho Gaúcho dominaria o mundo. Mal conseguiu dominar a bola.

Maledet, ops, Paolo Rossi

Pô, Argentina e Paolo Rossi no mesmo post?

O craque da Copa pode ser alguém que já é ídolo. Um Romário, um Zidane. Mas também pode ser alguém que saia do banco e vire artilheiro. Tipo o Schilatti, em 90, lembra?

Mas se este titulo cair no colo do Messi, eu vou achar bem legal. Foi mal aí.

Postado por Marcos Abrucio

13 respostas para O herege

  1. Eu não vou achar legal. Sou anti-Argentina de corazón!

    Mas que este piolho está jogando o fino, isso tá… quero ver fazer graça pra cima de Lúcio-Paredão!

    Abrazzo.

    • Olha aí o “paredão” aos 23 minutos:

      • rojasrojas

        Pra você ver, Max…

        O cara tá indo pra sua terceira Copa do Mundo como titular, jogando o fino pela Inter de Milão e repetindo suas atuações com a Amarelinha (o que Messi realmente não faz – ou não fez “ainda” em um torneio sub-30).

  2. Infelizmente, eu concordo.

  3. Obrigado por se somar à lista de brasileiros que torcem para a Argentina por achar a Seleção da CBF chata e pedante. O presidente Lula declarou o mesmo. E eu, que não sou presidente e nem “jornalista esportivo”, sigo o exemplo de vocês.

  4. Por favor, capturem ai algum gol dele contra um time de short azul, meião branco e camisa amarela (que possui 5 estrelas) de nome Brasil!!!!! Quando ele ve esta camisa, ele treme na base, num joga nada. (fato)

    Sim, ninguém é louco de negar que o cara joga muuuuuuito e é o super homem do futebol, mas no futebol a Kriptonita é amarelinha.

  5. li só a duas primeiras frases e parei.

    • Antero,
      As duas primeiras frases são:
      (1) Sim, eu sou. (2) Ou vou ser, depois do que vou escrever agora.
      Você parou alí?
      Leia o resto. Fala do Messi. Vale a pena.

  6. Ricardo Salgado

    Sempre lembrando que Ronaldo Fenômeno, o maior jogador que eu vi jogar, com a mesma idade de Messi já era duas vezes o melhor do planeta e já havia participado de duas Copas, sendo campeão em uma delas e vice na outra.

  7. Pingback: Última chamada para o craque « Copawriters

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